A arte do encontro

A vida é a arte do encontro, embora existam tantos desencontros pela vida...

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Quem elegeu Dilma?

Será que foi o Nordeste que deu a vitória de Dilma?

Antes de responder à pergunta, tome seu tempo e leia estes comentários pós-eleição:





A essa altura você já deve ter entendido o motivo desses ataques de xenofobia. Mas como começou? O que foi o catalizador de tudo isso?

Tudo aconteceu por causa de figuras como esta, amplamente divulgadas pela imprensa:



Sim, se dependesse da Região Nordeste, Serra não teria a mínima chance. Mas acontece que, nestas eleições, se você analisar os resultados por região, vai ver que:

No Sul:
Serra ganhou por 7,78% dos votos.

No "Sudeste Maravilha":
Dilma ganhou por 3,76%; graças ao Rio de Janeiro e a Minas Gerais, estados em que Dilma teve uma vantagem na casa dos 20%!
No Espírito Santo, porém, deu empate!
E em São Paulo, o centro do universo, casa de tantos mandatos de direita, Serra não conseguiu nem mesmo 10% de vantagem!

No Centro-Oeste:
Empate!
Rigorosamente, Serra ganhou por 1,84%.

No Norte:
Dilma ganhou por 14,86%.

E no nosso Nordeste amado e odiado por tantos:
Dilma ganhou por avassaladores 41,16%.

Tudo isso está resumido neste quadro:



Números à parte, vamos fazer a vontade dos sudestinos e remover o Nordeste do Brasil. O que aconteceria?



Seriam 26 milhões de votos válidos a menos. E o resultado das eleições:



Oxente, deu Dilma de novo! Como pode? Deve ser por causa do pessoal lá do Norte, né? Então vamos tirar o Norte também:



Eis o sonho de grande parte dos sudestinos. Um Brasil sem Norte/Nordeste!

Agora sim, vamos ao resultado das eleições. Está tudo nas mãos deles:



Mas deu Dilma de novo! E agora, quem explica?

Pergunte aos moleques do Tuíter (sic). O que será que eles diriam?

Provavelmente seria algo nas linhas de: "É por causa dos imigrantes do Norte/Nordeste que votam aqui no Sul/Sudeste".

Raciocínio incorreto. Pois mesmo que todos os migrantes nordestinos tenham votado em Dilma (100% em Dilma, o que é uma hipótese extremamente fantasiosa), o número de sudestinos nativos morando na região é muito maior. Prevaleceu portanto a vontade deles, os nativos, e foi por pequeníssima diferença que Dilma venceu.

Posto isso, ao invés de propor a independência do Sul/Sudeste, os referidos xenófobos deveriam primeiro checar os números e decidir o que fazer com metade de seus conterrâneos. Afinal, há mais eleitores de Dilma nativos de lá (S/SE) do que nativos daqui (N/NE).


Um abraço,
Onildo Ferraz
Pernambucano

Fontes:
http://kioshi.blogspot.com/2010/11/xenofobia-no-twitter-contra-nordestinos.html
http://placar.eleicoes.uol.com.br/2010/2turno/
http://www.clicrbs.com.br/eleicoes/2010/apuracao/2turno/apuracao.html
http://oglobo.globo.com/pais/eleicoes2010/apuracao/
http://politica.estadao.com.br/eleicoes-2010/apuracao-segundo-turno/?estadual=br&federal=br

O monstro ecológico



Era uma tarde de domingo no centro de Picos. Os restos da feira livre do dia anterior alastravam as ruas principais da cidade. Cascas de banana, caixas de ovo, chifres de boi, pedaços de jornal... Parecia que um furacão havia destroçado tudo. Nas imediações do mercado público, um cachorro esguio arrastava uma tripa pela Avenida Getúlio Vargas, disputando o troféu com oito urubus famintos. As ruas desertas mais pareciam uma velha cidade de faroeste abandonada.

A faxineira da Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios varria alegremente o pátio que, dentro em breve, receberia os fiéis para a missa das sete quando uma imensa luz prateada cruzou os céus da cidade, circulou a torre da igreja e, em movimentos estranhos, tipo solavancos de carro velho que não quer pegar, aterrissou no meio do calçamento da Praça Justino Luz.

Enquanto a luz se apagava, um ser esquisito apareceu no topo da parafernália. Tinha a cabeça achatada e duas enormes orelhas. A pele recoberta por uma escama espessa e brilhante parecia assumir as cores do ambiente por onde passava. Os olhos grandes e salientes se movimentavam no rosto ao ponto de, por vezes, um ficar sobre o outro. Começou a girar a cabeça vendo o que havia em volta. Emitia sons estranhos, fazia movimentos constantes, parecia indignado com a sujeira que rodeava seu moderníssimo tamborzinho voador.

De repente, começou a girar o corpo a uma grande velocidade. Uma massa de ar rodopiou por entre os detritos e, em pouco tempo, tudo estava limpinho. O lixo fora agrupado em diversos blocos, de acordo com a sua natureza, formando esculturas lindíssimas.

Uma grande multidão já se aglomerava ao redor da cena. O medo inicial dava lugar à cordialidade, dada a boa ação praticada pelo monstrengo. Seu Adelson, pipoqueiro, aproximou-se da figura estranha com certa cautela e perguntou: “Quem é você”? De imediato a criatura retribuiu a indagação com outra semelhante e tom cavernoso: “Quem é você”? Parecia que havia ressoado uma enorme panela acústica.

O monstro estendeu a mão cumprimentando seu Adelson, aproximou-se do moço segurando-o pela cintura. Num impulso, os dois subiram pelos ares. A criatura vislumbrava espantada a sujeira do Rio Guaribas, o lixo hospitalar, os esgotos a céu aberto, o bando de urubus circulando. Enquanto isso conversava com Adelson demonstrando grande habilidade no aprendizado de nossa língua.

Aos poucos a criatura foi explicando a seu Adelson sua eterna jornada de andarilho do espaço. Incontáveis milhas percorridas preocupando-se exclusivamente com a ecologia do planeta. Lá de cima, sentiu o mau cheiro que a cidade exalava e não se conteve.

Perguntou a criatura a seu Adelson se a cidade não tinha prefeito. “Ter, tem... mas não liga!”, respondeu o pipoqueiro. O alienígena dirigiu-se então à Avenida Nossa Senhora de Fátima onde residia o prefeito romeiro. Lá chegando, adentrou o apartamento do dito cujo e, puxando-o pelo fundo das calças, atirou-o ao espaço junto com todo o lixo da cidade. Em seguida levantou voo em sua nave sob os aplausos de toda a cidade agradecida.


* Texto publicado originalmente no Jornal de Picos, versão impressa, em 16 de abril de 1999.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Preconceito contra o nordestino



A estudante de Direito Mayara Petruso atendendo ao chamado dos tucanos, que transformaram a campanha eleitoral numa guerra entre gente limpinha e a massa fedida, principalmente a que reside no Nordeste e vive do Bolsa Família, escreveu as mensagens reproduzidas acima na noite do último dia 31 de outubro, logo após o anúncio da vitória de Dilma Roussef.

A estudante é uma típica paulistana de classe média alta. Um tipo que não gosta de estudar, adora consumir e que considera nordestino um ser inferior. Nada mais comum em almoços de domingo nos ambientes dessa elite branca paulistana do que ouvir gente falando coisas semelhantes ao que escreveu Mayara Petruso na sua conta no tuiter. Na cabeça da menina, ela não deve ter falado nada demais. Afinal, é isso que deve ouvir desde criança entre familiares e amigos.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Um dia, um adeus...





“É tão estranho, os bons morrem jovens
Assim parece ser, quando me lembro de você
Que acabou indo embora, cedo demais...”


Era uma noite festiva de inverno num clube da cidade. No palco, a Banda Azul de Quixadá animava a multidão. De paquera do lado, eu perambulava por entre a galera. “Vou ao banheiro”, disse-me ela. Nunca mais voltou. Continuei vagando solitário e eis que me aparece aquela figura: Cabelos ondulados, rosto angelical, copo na mão. Aceita uma bebida? “claro”, respondi. Quer dançar comigo? Gelei dos pés à cabeça. O homem sempre gela quando passa de caçador à caça, principalmente eu, que nunca aprendi a dançar. Mas nunca fui homem de fugir e, em meio a passos atrapalhados, inesperadamente fui pegando o ritmo. Meia hora depois eu já me sentia um Beto Barbosa. Começava a surgir ali uma química perfeita e pensei: Vai rolar! Tempos depois ela me questionou: “Como você aceita bebida de estranhos numa festa?” Respondi-lhe: “Se você tivesse me dado azeite com prego, eu teria bebido!”

Por volta das três da madrugada, a festa acabou (puxa, tão cedo!). Descobri que morávamos perto, no mesmo bairro. Há apenas cinco quilômetros de onde estávamos. E o que são cinco quilômetros quando você sente a vontade de caminhar junto para todo o sempre? Éramos uma turma de oito pessoas. Saímos a caminhar tagarelando pela madrugada. Uma pequena pausa na rodoviária para comer um... doce! Que coisa estranha, pensei. No caminho, uma carona inusitada: alguém num Del Rey nos convidou a todos. Tratava-se da velha síndrome da solidão nas madrugadas. Emalados feito sardinha, partimos para a última aventura da noite.

Nos dias que se seguiram vivemos um conto de fadas. Passeios, encontros festas, viagens, pescarias. Íamos de bicicleta almoçar nos melhores restaurantes da cidade. Havia algo muito forte que nos unia. Eu nem conseguia entender direito. Só vivia. A música sertaneja explodia nas paradas. Certo dia, numa mensagem através do rádio, ela me dedicava uma música simples, mas contextualmente forte: “Tire seus olhos dos meus, eu não quero me apaixonar. Ficou em mim um adeus que deixou esse medo de amar. Eu já amei uma vez e senti a força de uma paixão. A gente às vezes se entrega de mais e esquece de ouvir a razão...”

Alguns meses depois, um fato iria mudar nossas vidas para sempre. Um pequeno incômodo na articulação do braço direito, fisioterapia, exames e uma descoberta terrível: Havia um tumor ósseo maligno. Seria necessário amputar todo o braço. Fui a São Paulo acompanhá-la. Perdi um semestre na faculdade. Experiência difícil para quem estava começando a viver.

Ela carregava todos os elementos para ser infeliz: Havia sido mãe solteira precocemente num relacionamento malfadado, sofria com a separação dos pais, nunca arrumara um emprego formal, nunca conseguira concluir o ensino médio, descobrira um câncer fulminante aos 22 anos de idade tendo que amputar um braço e conviver com o preconceito e, por fim, o tratamento quimioterápico provocara-lhe uma menopausa precoce. Não mais poderia ter filhos. E o que ela fazia? Vivia intensamente cada minuto da vida!

Passado o transtorno maior ela recuperou-se. Voltou a estudar, planejar a vida. Eu estava no meio do curso superior. Engajado no movimento estudantil, respirava a política. Sonhava com uma revolução e juntava dinheiro para ir a Cuba. Começamos a trilhar caminhos diferentes. Certo dia, durante exames de rotina, uma descoberta inusitada: ela estava grávida! O destino, mais uma vez, aproximava nossas vidas.

Os anos que se seguiram foram de amor intenso e desafio constante. Por diversas vezes, ao falarmos sobre a vida, a doença e o futuro, eu não conseguia conter as lágrimas e ela, em sua infinita tranquilidade, me dizia: calma. Tudo vai passar. Tudo vai ficar bem. Instalava-se ali, uma inversão de papéis. Aquele que deveria confortar estava sendo confortado por aquela que tinha uma sentença de morte.

Quando pensei em candidatar-me a vereador ela foi minha maior aliada, mesmo sabendo que iria dividir a minha atenção com dezenas de outros compromissos. Mesmo debilitada, engajou-se na campanha, pedia votos e ainda chegou a comparecer no dia da eleição para votar em mim. Faleceu um mês depois.

Ela partiu numa manhã nublada de dois de novembro. Há dez anos. Ainda assistimos à missa do Padre Marcelo Rossi pela TV. Minutos depois, ela balbuciou que não estava sentindo as pernas, os braços. Segurou forte a minha mão e falou: “Muito obrigada por tudo...” As últimas palavras não foram de desespero, mas de agradecimento. Fechou os olhos como uma criança após o enfado de um dia de muitas brincadeiras. Tinha um semblante sereno. Ela via Deus.

Durante muito tempo tentei compreender o porquê de tudo isso. Hoje entendo perfeitamente os planos de Deus. Ela precisava de alguém para atravessar os momentos mais difíceis de sua vida. Eu precisava de alguém para me mostrar que a revolução maior não se dá pela força bruta, mas dentro do coração das pessoas.

Muitos dizem: Puxa, como você foi importante prá ela! O que poucos sabem é o quanto ELA foi importante prá mim. O quanto aprendi com a sua companhia, com seus ensinamentos, e, sobretudo, com seu exemplo. Com ela aprendi a dar mais valor à vida. A lutar por tudo aquilo que acredito. A valorizar cada dia como se fosse o último. A não me desesperar diante do sofrimento mais terrível. A amar sem esperar nada em troca. A perdoar àqueles que me fazem mal. A me alegrar com as pequenas coisas. A valorizar aquilo que realmente é grande: o amor ao próximo!

Na verdade, ela não se foi, continua perto e dentro de mim. Posso vê-la eternizada no sorriso dos filhos, nas noites em que as estrelas mais brilham, na chuva fina dos finais de tarde, no rosto daqueles que transformam a vida num sinal de esperança.

Seu filho tornou-se meu filho; sua mãe tornou-se minha mãe e grande amiga; sua família tornou-se a minha família. Apesar de todas as imperfeições, aprendi com eles ensinamentos que, até então, eu só conhecia na teoria: a solidariedade, a partilha, o desprendimento, o valor do encontro, da confraternização, do riso. Valores muito mais sólidos do que aqueles que encontrei na minha própria família certinha, rezadeira, mas, com raras exceções, extremamente egoísta.

A vida seguiu seu curso e, quando menos espero, aparece algum fruto do que plantei. Nem sei se mereço tudo isso. Sou muito feliz, novamente!

Hoje, pela primeira vez nos últimos dez anos, não pude visitar seu túmulo. Faço, aqui, no entanto, essa pequena homenagem no anseio de que sua memória nunca seja esquecida.

“Márcia, um cheiro bem grande e até qualquer dia...”!

1. Um dia, um adeus. (Guilherme Arantes)
http://letras.terra.com.br/guilherme-arantes/46321/
2. Love in the afternoon (Renato Russo)
http://letras.terra.com.br/legiao-urbana/46947/
3. Você se lembra. (Geraldo Azevedo)
http://www.youtube.com/watch?v=VR0zLZEfPM0
4. Não olhe assim (Leandro & Leonardo)

domingo, 31 de outubro de 2010

Fui votar no Minascentro


Graças à possibilidade aberta pelo TSE este ano, pude votar fora do meu domicílio eleitoral. Aqui em Belo Horizonte, foi aberta uma seção exclusivamente para voto em trânsito no prédio do Minascentro, no centro da cidade. Trata-se de um Centro de Convenções que ocupa um quarteirão inteiro na rua Augusto de Lima. Só para se ter uma ideia, um dos teatros do mesmo tem capacidade para 1.715 pessoas.
Fico muito orgulhoso com a democracia existente hoje no Brasil. Embora reconheça que ainda há falhas, vejo que estamos à frente de diversas outras nações do mundo.
Votar sempre foi, para mim, uma questão de honra. Fui um dos primeiros beneficiados com o voto aos 16 anos. Tinha tanta ansiedade que, quando recebi meu título, em junho de 1989, apesar de verificar um erro na grafia do meu nome (Benvido em vez de Benvindo), preferi não pedir correção temendo não receber o documento a tempo.
Até hoje o nome permanece com erro. Porém, procuro sempre votar "certo" (na minha concepção, é claro) e penso que isso é o mais importante. O curioso é que só recentemente alguém em quem votei foi eleito. Aliás, o primeiro a ser eleito com meu voto fui eu mesmo...

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Dilma ou Serra? Para além da Casa Grande e da Senzala


Com a iminência do segundo turno das eleições presidenciais de 2010 e, considerando a disputa acirrada entre dois projetos de governo, na condição de cidadão e ser político, não posso me furtar a também externar a minha opinião. Apesar de reconhecer algumas falhas no governo Lula, é inegável a sua grande contribuição para o crescimento do Brasil na última década, em todos os sentidos. Crescimento que não se resume apenas ao superavit da balança comercial, mas, sobretudo, o crescimento da igualdade e da distribuição de renda.
Lula expandiu o acesso à universidade no Brasil seja através da expansão das universidades públicas, seja através do Prouni. Apenas no meu departamento da UFPI (Letras), foram contratados 15 novos professores nos últimos 5 anos. Todos os professores substitutos foram "substituídos".
Nunca a polícia federal atuou com tanta liberdade; nunca tantos corruptos foram presos; nunca tantos políticos foram cassados. Não é que a corrupção aumentou, é que somente agora ela veio à tona e pode ser combatida com maior empenho.
Nunca houve tanto investimento no Nordeste, buscando diminuir as desigualdades regionais, evitando a migração para outras regiões e dando dignidade a todos. O bolsa família ajudou a tirar milhões de pessoas do estado de pobreza em que se encontravam.
A coordenação do PAC, da Petrobras e de tantas outras ações para que o governo Lula fosse bem sucedido, coube inegavelmente à Dilma. Por isso, em 31 de outubro, VOTO DILMA PRESIDENTE.

sábado, 11 de setembro de 2010

Fui a Teresina e ao Rio de Janeiro


Tive que participar de dois eventos que aconteceram quase ao mesmo tempo. Um em Teresina e outro no Rio de Janeiro. Como fazer para estar em dois lugares ao mesmo tempo? Tive que fazer um malabarismo. Primeiro, falar com a organização dos dois eventos para não colocar a minha apresentação no mesmo dia. Depois comprar passagens, planejar a viagem... um quebra-cabeças.


Em Teresina, participei da XXIII Jornada Nacional de Estudos Linguísticos do Nordeste promovida pelo GELNE, Grupo de Estudos Linguísticos do Nordeste, no período de 6 a 9 de setembro. Neste evento apresentei o trabalho "Mídia e política: efeitos discursivos em editoriais da imprensa escrita do Piauí".


No Rio de Janeiro, participei do II Fórum Internacional de Análise do Discurso - Homenagem a Patrick Charaudeau, no período de 8 a 10 de setembro. Nele apresentei o trabalho "Piauí: é feliz quem vive aqui - efeitos de patemização na mídia".

domingo, 8 de agosto de 2010

Harry Potter, Hermione e Severo Snape


Esta foto é uma relíquia divulgada recentemente pelas famílias dos famosos atores da série Harry Potter. Trata-se de um registro feito antes da fama quando os três ainda estudavam na School Social Service of Industry - famosa SESI - na Califórnia. A referida foto está sendo leiloada por cerca de U$ 500 mil para ajudar alguns parentes pobres dos atores no Brasil.

sábado, 24 de julho de 2010

CHEIRO

CHEIRO

Encontro de folhas aveludadas
Cobertas de cores adocicadas
Incenso em beijo explode
Raio na pele escorre
Delírio na alcova
Sons divagam afora
Clarões cintilam vontades
Sem escudo, curvas, ansiedade
Jasmins, lírios, cravos corpóreos
Mãos, segredos não-ditos flóreos
Deitam nuvens, raios... evocação
Rebenta rubro enlace da paixão
Madrugada, o ritual almejado
Lençóis em cheiro acetinado
Na horizontalidade do anzol
Mormaço esboça girassol
Fascínio de flauta doce
Cascata febril da noite

Francigelda Ribeiro. Gel em chamas. São Paulo: Scortecci, 2008.

domingo, 20 de junho de 2010

Mil acasos me levam a você...




Ontem fui ao show do Skank. O evento marcou a despedida do Mineirão – O Gigante da Pampulha, que foi fechado para reformas visando a Copa do Mundo de 2014. Com o terceiro show ao vivo gravado em DVD, a banda se consolidou como uma das maiores do cenário pop rock nacional. Esse é o Skank de Samuel Rosa, Haroldo Ferreti, Henrique Portugal e Lelo Zanetti. Cerca de 50 mil ingressos foram trocados por alimentos não perecíceis em apenas uma semana. Os mineiros têm verdadeira adoração pelo Skank. Pude ver o carinho dos fãs para com a banda.

Durante o show, energia total. Sucessos como "mil acasos", "é uma partida de futebol", "uma canção é prá isso", "vou deixar" cantados num coral de 50 mil vozes é de arrepiar. Coisa prá ficar para sempre na memória. Nota mil. Vou esperar sair o DVD para ver se eu apareço em algum momento...

terça-feira, 1 de junho de 2010

Charaudeau e Maingueneau em BH









Nos períodos de 3 a 7 e 17 a 21 de maio de 2010, na UFMG, em Belo Horizonte, participei de dois minicursos respectivamente com os professores e linguistas franceses Dominique Maingueneau (Universidade de Paris XII) "Problemáticas emergentes da Análise do Discurso" e Patrick Charaudeau (Universidade de Paris XIII) "O sujeito do discurso". Os eventos foram promovidos pelo NAD - Núcleo de Análise do Discurso da FALE - Faculdade de Letras e abordaram questões ligadas à produção e recepção de discursos, heterogeneidades, interdiscursividade, sujeitos, argumentação, semiolinguística etc.
Na oportunidade, usei todo o meu francês para bater um papo com o Charaudeau. Falei prá ele da minha intenção de passar alguns meses na França visitando algumas universidades, conversando pessoalmente com alguns teóricos, consultando a biliografia original, frequentando aulas etc. Minha pesquisa está toda baseada na Análise do Discurso Francesa. Aí veio a grande surpresa. Ele gostou do meu projeto e se dispôs a me orientar no período em que eu estiver na França. Digitei uma declaração e ele assinou na hora. Agora vou pleitear uma bolsa junto ao Programa de Pós-graduação em Linguística da UFMG, fazer o teste de proficiência na Aliança Francesa, pedir um adiamento de afastamento na UFPI e... arrumar as malas! Paris, aí vou eu...

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Adeus a Firmina...

Acabei de chegar em Belo Horizonte e recebi a notícia da morte da minha grande amiga e irmã Firmina. Ela foi vítima de um acidente automobilístico na estrada que liga Teresina a Picos.

Eu estava em Teresina esses dias. Fui para o aniversário de 14 anos do meu filho no domingo, 2 de maio. Grande alegria. Nesses 14 anos eu nunca havia me separado dele por mais de um mês. Agora temos que passar um ano distantes um do outro.
Mas ao chegar em BH, recebo esta terrível notícia. Foi como se o mundo tivesse desabado. Firmina foi (e sempre será) uma daquelas pessoas cuja presença nunca passa despercebida, pois irradia alegria por onde passa. Irreverente, extrovertida, simpática... um amor de pessoa.
Em Junho de 1993 fomos participar do Congresso Nacional da UNE em Goiânia. Um ônibus lotado com estudantes do campus da UFPI de Picos. Lembro-me de suas brincadeiras, palhaçadas, anedotas. Ninguém conseguia dormir com ela por perto. Nem no ônibus, nem nos alojamentos. Dormimos uma semana no chão duro das salas de aula da Universidade Federal de Goiás.
Em outubro do ano passado eu estive em Picos participando da I EXPOLIP - Exposição Literária de Picos. Foi a última vez que nos vimos. Na sua eterna irreverência, ela disparou: "Joãozinho, tua agora só quer ser doutor..." Rimos muito e nos despedimos.
Hoje, o céu, com certeza ficou mais alegre. Minha queridinha amiga, que Deus e os anjos do céu te recebam cheios de alegria e júbilo e que você continue a nos acompanhar com o teu sorriso e com a tua alegria. A amizade verdadeira dura para sempre! Adeus...

quinta-feira, 22 de abril de 2010

O sabor das gerais


Residindo há dois meses em Belo Horizonte, em função do meu doutorado em Linguística pela UFMG, estou experimentando, pela primeira vez na vida, as regalias de poder dedicar-me inteiramente aos estudos. Uma delas é poder usar o tempo livre para escrever baboseiras como essas, passatempo que considero "bom de mais da conta", como se fala por aqui. Apesar da curta estada, já pude deleitar-me com diversos aspectos da cultura mineira. Nada me chamou mais a atenção, no entanto, que o excesso de alho e torresmo da culinária. Adaptei-me facilmente. Os anos de penúria à base de arroz com feijão deixaram o meu paladar bastante flexível. O difícil é engolir o jiló, embora seja a estrela da 11ª edição de um Festival local de "comida di buteco", para mim, continua sendo comida de passarinho.

No aeroporto internacional Tancredo Neves, conhecido popularmente como aeroporto de Confins (nome da cidade na qual está localizado), fiquei maravilhado com tanta imponência. Obra digna da sexta maior cidade do país com dois milhões e meio de habitantes. Sempre imaginei que tivesse sido inaugurado recentemente. Ledo engano. Sua inauguração ocorreu em 1984 com a presença de Tancredo Neves e comitiva. Vi painéis com fotos. O problema é que fica a 38km de Belo Horizonte, sendo o mais distante aeroporto de sua região central no Brasil e isso gerou uma ociosidade que durou 20 anos. Somente em 2005 a Infraero forçou a transferência, para lá, de 120 voos do aeroporto da Pampulha. Esse, por sua vez é igualzinho ao de Teresina. Acho até que copiaram o projeto arquitetônico. Se o pequenino Pampulha suportou até 5 anos atrás o volume de passageiros diário de Belo Horizonte, penso que o de Teresina reinará absoluto por mais uns 50 anos.

Não sei se por conta do aquecimento global ou pela minha falsa expectativa, Belo Horizonte estava um verdadeiro caldeirão de quentura nos meses de fevereiro e março. Nada diferente do Piauí. A única coisa não muito quente por aqui é a acolhida dos mineiros. Talvez seja apenas a birra comum à gente da cidade grande ou a suposta introspecção dos ditos intelectuais, estudantes de pós-graduação da UFMG. É um povo todo delicado e refinado, porém frio. Prefiro o jeito piauiense, meio destabocado, todavia acolhedor. Costumo vangloriar-me por aqui afirmando que o piauiense é o povo mais doce e romântico que conheço, prova disso é a maravilhosa cena do beijo entre humanos, única no mundo retratada numa pintura rupestre, na Serra da Capivara.

Para se ter uma ideia das diferenças abissais entre o ensino superior mineiro e o piauiense, basta observar o fato de que em Minas Gerais existem 10 universidades federais contra uma no Piauí. Algumas inclusive, em municípios com apenas 60 mil habitantes como Ouro Preto (UFOP) e Viçosa (UFV). Partindo desse pressuposto, fico me perguntando o porquê de até hoje não ter sido aprovada a criação da Universidade Federal do Vale do Gurgueia e, por que não pensar na Universidade Federal do Vale do Guaribas, situada em Picos? Com todo respeito ao patrimônio histórico de Ouro Preto e à localização geográfica de Viçosa, a região de Picos bem que possui atributos e potenciais para também receber tal empreendimento. Imaginem a operacionalização e o gerenciamento de recursos de uma instituição como a UFPI, cujos campi estão localizados a distâncias superiores a mil quilômetros.

O centro de Belo Horizonte é um logogrifo impossível de decifrar. Parece um grande tabuleiro de xadrez com um círculo no meio. Tudo é milimetricamente traçado. Há uma fileira de ruas com os nomes de todos os estados brasileiros (andar na rua Piauí, no centro de BH é o máximo!) e outra fileira com nomes de tribos indígenas. Coisa de cidade planejada onde a planta vem antes do assentamento urbano. Os mineiros, desavisadamente, afirmam que Belo Horizonte foi a primeira capital planejada do Brasil. Onde já se viu isso? A primeira capital planejada foi Teresina (1852), obra do baiano Saraiva, o Conselheiro, seguida de Aracaju (1855) e só então veio Belo Horizonte (1897). Depois vieram Goiânia (1932), Brasília (1960) e a recente Palmas (1989). Aliás, o Brasil é campeão sul-americano de capitais planejadas, muito embora esse planejamento não consiga se impor durante muito tempo.

Não sou tão alheio à história do Piauí e conheço muitos piauienses contemporâneos famosos no cenário brasileiro, como o ex-governador do Rio de Janeiro, Moreira Franco, natural de Teresina; a atriz Natália do Valle, nascida em Floriano; o escritor Assis Brasil, filho de Parnaíba; o violonista picoense Erisvaldo Borges, etc. No entanto, folheando o livro "Chão de Minas", escrito pelos jornalistas Kao Martins, Paulinho Assunção e Sebastião Martins, lançado recentemente, deparei-me com uma descoberta por demais inusitada: Minas já teve um governador piauiense! É isso mesmo. O livro conta a história de Francelino Pereira dos Santos, nascido em 1921 na cidade de Angical – PI, filho do vaqueiro Venâncio. Ele estudou durante muitos anos no Liceu Piauiense, em Teresina. Depois partiu com a cara e a coragem para Minas, formou-se em Direito pela UFMG em 1949, elegeu-se vereador de Belo Horizonte, foi governador de Minas entre 1979 e 1983 e senador da república pelo mesmo estado de 1995 a 2003. É um verdadeiro ícone em Minas Gerais.

Continuo fazendo grandes descobertas por aqui, embora tenha que canalizar minhas inquietudes para o meu objeto de estudo: o discurso dos editoriais dos jornais impressos do estado do Piauí. De antemão, no entanto, já posso vislumbrar a ocorrência de um bom resultado.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Sport x Atlético MG no mineirão



Ontem fui ver Sport e Atlético mineiro, no mineirão. Oportunidade para conhecer o estádio. Em minha companhia estava o torcedor mais fanático do Sport: meu amigo Marinho. E eu, como sempre, torço para tudo quanto é time do Nordeste: Vitória, Bahia, Sport, Náutico, Fortaleza, Ceará etc. O difícil é quando jogam com o meu Flamengo do Rio... Mas não sou fanático!


Chegamos tranquilamente duas horas antes da partida pela Copa do Brasil. Minutos depois, chegava um ônibus trazendo 40 torcedores do Sport. Começou o quebra-quebra. Torcedores da Galoucura, uma torcida organizada do Atlético que estavam próximos de nós avançaram no ônibus com paus e pedras. Uma verdadeira aberração. Cerca de 100 policiais apareceram na hora e conseguiram conter a multidão. O ônibus adentrou as dependências do estádio.


Lá dentro, ficamos confinados na pior parte do estádio, cheia de pilares na frente. Protegidos por um cordão de isolamento e um batalhão da PM, cerca de 100 torcedores do Sport ficaram ali escondidinhos. Coisa vexatória.


Ao final, para nossa sorte, o Atlético venceu por 1 x 0. Já imaginou se o Sport ganha. Estaríamos fritos. Tivemos que esperar os 50 mil torcedores do Atlético deixarem o estádio, para, só depois sairmos por volta de 1h da manhã. Em mim ficou uma lição: nunca mais vou ao estádio para ficar no meio da torcida visitante...

domingo, 7 de março de 2010

Eu, filho do carbono e do amoníaco...

Nasci há "alguns" anos em cima do morro do mestre Abrãao, na cidade de Picos - Piauí. Desde muito cedo atuei nos movimentos sociais da minha cidade e região. Aos 6 anos, fui morar no bairro Junco, periferia da cidade e lá comecei a fazer arruaça. Fui um dos fundadores da Associação de Moradores do bairro, do Jornal Folha Picoense e da primeira rádio comunitária de Picos, a Junco FM. Trabalhei no MEB (Movimento de Educação de Base) no período de 1994 a 2000, quando, por ironia do destino, fui eleito vereador pelo PT. Em 2002 quando o partido elegeu o governador do Piauí e o presidente da república, uma mosca azul começou a me atormentar. Fiz um concurso para professor da UFPI, campus de Teresina e fui aprovado em 1º lugar. Arrumei as malas, renunciei ao mandato e me mandei. Fiz Mestrado em Letras na UFPI e hoje sou doutorando em Estudos da Linguagem na UFMG. Minha próxima meta é escalar o pico Everest...

P.S. Na época dessa foto, meu pai era meu cabeleireiro.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Cheguei hoje em Belo Horizonte



Cheguei hoje à tarde no aeroporto internaconal Tancredo Neves, conhecido como aeroporto de Confins. Viagem cansativa com chá de cadeira em Brasília. Mas já estive em piores condições. Já fui de ônibus para Brasília, passando pelas estradas cheias de crateras no Sul do Piauí e já fui prá São Paulo também de ônibus.


Na viagem prá São Paulo levei até latinha de frito. Aquelas latas de leite Ninho cheinhas de frango com farofa. Coisas de minha mãe. Logo ao sair de Picos comecei a "bibicar" as danadas. Quando cheguei em Petrolina já havia comido tudo depois de apenas 8 horas de viagem, ou seja, apenas 1/6 do percurso.


Mas voltemos a BH. Minha amiga Ana Cláudia, que já estava em Minas, me orientou a utilizar um ônibus executivo que sai do aeroporto de Confins e passa pelo aeroporto da Pampulha, onde eu deveria ficar e encontrar com ela. Tomei o ônibus errado. Fui parar no centro de BH. Tive que voltar de táxi. Paguei quase a mesma coisa que pagaria vindo de Confins de táxi. Coisas de matuto perdido...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

The Blower's Daughter

The Blower's Daughter
Damien Rice


And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it is
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...

And so it is
Just like you said it should be
We'll both forget the breeze
Most of the time
And so it is
The colder water
The blower's daughter
The pupil in denial

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...

Did I say that I loathe you?
Did I say that I want to
Leave it all behind?

I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off you
I can't take my mind...
My mind... my mind...

'Til I find somebody new

http://www.youtube.com/watch?v=2W6m2AzE3Pk&feature=related