Residindo há dois meses em Belo Horizonte, em função do meu doutorado em Linguística pela UFMG, estou experimentando, pela primeira vez na vida, as regalias de poder dedicar-me inteiramente aos estudos. Uma delas é poder usar o tempo livre para escrever baboseiras como essas, passatempo que considero "bom de mais da conta", como se fala por aqui. Apesar da curta estada, já pude deleitar-me com diversos aspectos da cultura mineira. Nada me chamou mais a atenção, no entanto, que o excesso de alho e torresmo da culinária. Adaptei-me facilmente. Os anos de penúria à base de arroz com feijão deixaram o meu paladar bastante flexível. O difícil é engolir o jiló, embora seja a estrela da 11ª edição de um Festival local de "comida di buteco", para mim, continua sendo comida de passarinho.
No aeroporto internacional Tancredo Neves, conhecido popularmente como aeroporto de Confins (nome da cidade na qual está localizado), fiquei maravilhado com tanta imponência. Obra digna da sexta maior cidade do país com dois milhões e meio de habitantes. Sempre imaginei que tivesse sido inaugurado recentemente. Ledo engano. Sua inauguração ocorreu em 1984 com a presença de Tancredo Neves e comitiva. Vi painéis com fotos. O problema é que fica a 38km de Belo Horizonte, sendo o mais distante aeroporto de sua região central no Brasil e isso gerou uma ociosidade que durou 20 anos. Somente em 2005 a Infraero forçou a transferência, para lá, de 120 voos do aeroporto da Pampulha. Esse, por sua vez é igualzinho ao de Teresina. Acho até que copiaram o projeto arquitetônico. Se o pequenino Pampulha suportou até 5 anos atrás o volume de passageiros diário de Belo Horizonte, penso que o de Teresina reinará absoluto por mais uns 50 anos.
Não sei se por conta do aquecimento global ou pela minha falsa expectativa, Belo Horizonte estava um verdadeiro caldeirão de quentura nos meses de fevereiro e março. Nada diferente do Piauí. A única coisa não muito quente por aqui é a acolhida dos mineiros. Talvez seja apenas a birra comum à gente da cidade grande ou a suposta introspecção dos ditos intelectuais, estudantes de pós-graduação da UFMG. É um povo todo delicado e refinado, porém frio. Prefiro o jeito piauiense, meio destabocado, todavia acolhedor. Costumo vangloriar-me por aqui afirmando que o piauiense é o povo mais doce e romântico que conheço, prova disso é a maravilhosa cena do beijo entre humanos, única no mundo retratada numa pintura rupestre, na Serra da Capivara.
Para se ter uma ideia das diferenças abissais entre o ensino superior mineiro e o piauiense, basta observar o fato de que em Minas Gerais existem 10 universidades federais contra uma no Piauí. Algumas inclusive, em municípios com apenas 60 mil habitantes como Ouro Preto (UFOP) e Viçosa (UFV). Partindo desse pressuposto, fico me perguntando o porquê de até hoje não ter sido aprovada a criação da Universidade Federal do Vale do Gurgueia e, por que não pensar na Universidade Federal do Vale do Guaribas, situada em Picos? Com todo respeito ao patrimônio histórico de Ouro Preto e à localização geográfica de Viçosa, a região de Picos bem que possui atributos e potenciais para também receber tal empreendimento. Imaginem a operacionalização e o gerenciamento de recursos de uma instituição como a UFPI, cujos campi estão localizados a distâncias superiores a mil quilômetros.
O centro de Belo Horizonte é um logogrifo impossível de decifrar. Parece um grande tabuleiro de xadrez com um círculo no meio. Tudo é milimetricamente traçado. Há uma fileira de ruas com os nomes de todos os estados brasileiros (andar na rua Piauí, no centro de BH é o máximo!) e outra fileira com nomes de tribos indígenas. Coisa de cidade planejada onde a planta vem antes do assentamento urbano. Os mineiros, desavisadamente, afirmam que Belo Horizonte foi a primeira capital planejada do Brasil. Onde já se viu isso? A primeira capital planejada foi Teresina (1852), obra do baiano Saraiva, o Conselheiro, seguida de Aracaju (1855) e só então veio Belo Horizonte (1897). Depois vieram Goiânia (1932), Brasília (1960) e a recente Palmas (1989). Aliás, o Brasil é campeão sul-americano de capitais planejadas, muito embora esse planejamento não consiga se impor durante muito tempo.
Não sou tão alheio à história do Piauí e conheço muitos piauienses contemporâneos famosos no cenário brasileiro, como o ex-governador do Rio de Janeiro, Moreira Franco, natural de Teresina; a atriz Natália do Valle, nascida em Floriano; o escritor Assis Brasil, filho de Parnaíba; o violonista picoense Erisvaldo Borges, etc. No entanto, folheando o livro "Chão de Minas", escrito pelos jornalistas Kao Martins, Paulinho Assunção e Sebastião Martins, lançado recentemente, deparei-me com uma descoberta por demais inusitada: Minas já teve um governador piauiense! É isso mesmo. O livro conta a história de Francelino Pereira dos Santos, nascido em 1921 na cidade de Angical – PI, filho do vaqueiro Venâncio. Ele estudou durante muitos anos no Liceu Piauiense, em Teresina. Depois partiu com a cara e a coragem para Minas, formou-se em Direito pela UFMG em 1949, elegeu-se vereador de Belo Horizonte, foi governador de Minas entre 1979 e 1983 e senador da república pelo mesmo estado de 1995 a 2003. É um verdadeiro ícone em Minas Gerais.
Continuo fazendo grandes descobertas por aqui, embora tenha que canalizar minhas inquietudes para o meu objeto de estudo: o discurso dos editoriais dos jornais impressos do estado do Piauí. De antemão, no entanto, já posso vislumbrar a ocorrência de um bom resultado.
No aeroporto internacional Tancredo Neves, conhecido popularmente como aeroporto de Confins (nome da cidade na qual está localizado), fiquei maravilhado com tanta imponência. Obra digna da sexta maior cidade do país com dois milhões e meio de habitantes. Sempre imaginei que tivesse sido inaugurado recentemente. Ledo engano. Sua inauguração ocorreu em 1984 com a presença de Tancredo Neves e comitiva. Vi painéis com fotos. O problema é que fica a 38km de Belo Horizonte, sendo o mais distante aeroporto de sua região central no Brasil e isso gerou uma ociosidade que durou 20 anos. Somente em 2005 a Infraero forçou a transferência, para lá, de 120 voos do aeroporto da Pampulha. Esse, por sua vez é igualzinho ao de Teresina. Acho até que copiaram o projeto arquitetônico. Se o pequenino Pampulha suportou até 5 anos atrás o volume de passageiros diário de Belo Horizonte, penso que o de Teresina reinará absoluto por mais uns 50 anos.
Não sei se por conta do aquecimento global ou pela minha falsa expectativa, Belo Horizonte estava um verdadeiro caldeirão de quentura nos meses de fevereiro e março. Nada diferente do Piauí. A única coisa não muito quente por aqui é a acolhida dos mineiros. Talvez seja apenas a birra comum à gente da cidade grande ou a suposta introspecção dos ditos intelectuais, estudantes de pós-graduação da UFMG. É um povo todo delicado e refinado, porém frio. Prefiro o jeito piauiense, meio destabocado, todavia acolhedor. Costumo vangloriar-me por aqui afirmando que o piauiense é o povo mais doce e romântico que conheço, prova disso é a maravilhosa cena do beijo entre humanos, única no mundo retratada numa pintura rupestre, na Serra da Capivara.
Para se ter uma ideia das diferenças abissais entre o ensino superior mineiro e o piauiense, basta observar o fato de que em Minas Gerais existem 10 universidades federais contra uma no Piauí. Algumas inclusive, em municípios com apenas 60 mil habitantes como Ouro Preto (UFOP) e Viçosa (UFV). Partindo desse pressuposto, fico me perguntando o porquê de até hoje não ter sido aprovada a criação da Universidade Federal do Vale do Gurgueia e, por que não pensar na Universidade Federal do Vale do Guaribas, situada em Picos? Com todo respeito ao patrimônio histórico de Ouro Preto e à localização geográfica de Viçosa, a região de Picos bem que possui atributos e potenciais para também receber tal empreendimento. Imaginem a operacionalização e o gerenciamento de recursos de uma instituição como a UFPI, cujos campi estão localizados a distâncias superiores a mil quilômetros.
O centro de Belo Horizonte é um logogrifo impossível de decifrar. Parece um grande tabuleiro de xadrez com um círculo no meio. Tudo é milimetricamente traçado. Há uma fileira de ruas com os nomes de todos os estados brasileiros (andar na rua Piauí, no centro de BH é o máximo!) e outra fileira com nomes de tribos indígenas. Coisa de cidade planejada onde a planta vem antes do assentamento urbano. Os mineiros, desavisadamente, afirmam que Belo Horizonte foi a primeira capital planejada do Brasil. Onde já se viu isso? A primeira capital planejada foi Teresina (1852), obra do baiano Saraiva, o Conselheiro, seguida de Aracaju (1855) e só então veio Belo Horizonte (1897). Depois vieram Goiânia (1932), Brasília (1960) e a recente Palmas (1989). Aliás, o Brasil é campeão sul-americano de capitais planejadas, muito embora esse planejamento não consiga se impor durante muito tempo.
Não sou tão alheio à história do Piauí e conheço muitos piauienses contemporâneos famosos no cenário brasileiro, como o ex-governador do Rio de Janeiro, Moreira Franco, natural de Teresina; a atriz Natália do Valle, nascida em Floriano; o escritor Assis Brasil, filho de Parnaíba; o violonista picoense Erisvaldo Borges, etc. No entanto, folheando o livro "Chão de Minas", escrito pelos jornalistas Kao Martins, Paulinho Assunção e Sebastião Martins, lançado recentemente, deparei-me com uma descoberta por demais inusitada: Minas já teve um governador piauiense! É isso mesmo. O livro conta a história de Francelino Pereira dos Santos, nascido em 1921 na cidade de Angical – PI, filho do vaqueiro Venâncio. Ele estudou durante muitos anos no Liceu Piauiense, em Teresina. Depois partiu com a cara e a coragem para Minas, formou-se em Direito pela UFMG em 1949, elegeu-se vereador de Belo Horizonte, foi governador de Minas entre 1979 e 1983 e senador da república pelo mesmo estado de 1995 a 2003. É um verdadeiro ícone em Minas Gerais.
Continuo fazendo grandes descobertas por aqui, embora tenha que canalizar minhas inquietudes para o meu objeto de estudo: o discurso dos editoriais dos jornais impressos do estado do Piauí. De antemão, no entanto, já posso vislumbrar a ocorrência de um bom resultado.
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