A arte do encontro

A vida é a arte do encontro, embora existam tantos desencontros pela vida...

domingo, 20 de junho de 2010

Mil acasos me levam a você...




Ontem fui ao show do Skank. O evento marcou a despedida do Mineirão – O Gigante da Pampulha, que foi fechado para reformas visando a Copa do Mundo de 2014. Com o terceiro show ao vivo gravado em DVD, a banda se consolidou como uma das maiores do cenário pop rock nacional. Esse é o Skank de Samuel Rosa, Haroldo Ferreti, Henrique Portugal e Lelo Zanetti. Cerca de 50 mil ingressos foram trocados por alimentos não perecíceis em apenas uma semana. Os mineiros têm verdadeira adoração pelo Skank. Pude ver o carinho dos fãs para com a banda.

Durante o show, energia total. Sucessos como "mil acasos", "é uma partida de futebol", "uma canção é prá isso", "vou deixar" cantados num coral de 50 mil vozes é de arrepiar. Coisa prá ficar para sempre na memória. Nota mil. Vou esperar sair o DVD para ver se eu apareço em algum momento...

terça-feira, 1 de junho de 2010

Charaudeau e Maingueneau em BH









Nos períodos de 3 a 7 e 17 a 21 de maio de 2010, na UFMG, em Belo Horizonte, participei de dois minicursos respectivamente com os professores e linguistas franceses Dominique Maingueneau (Universidade de Paris XII) "Problemáticas emergentes da Análise do Discurso" e Patrick Charaudeau (Universidade de Paris XIII) "O sujeito do discurso". Os eventos foram promovidos pelo NAD - Núcleo de Análise do Discurso da FALE - Faculdade de Letras e abordaram questões ligadas à produção e recepção de discursos, heterogeneidades, interdiscursividade, sujeitos, argumentação, semiolinguística etc.
Na oportunidade, usei todo o meu francês para bater um papo com o Charaudeau. Falei prá ele da minha intenção de passar alguns meses na França visitando algumas universidades, conversando pessoalmente com alguns teóricos, consultando a biliografia original, frequentando aulas etc. Minha pesquisa está toda baseada na Análise do Discurso Francesa. Aí veio a grande surpresa. Ele gostou do meu projeto e se dispôs a me orientar no período em que eu estiver na França. Digitei uma declaração e ele assinou na hora. Agora vou pleitear uma bolsa junto ao Programa de Pós-graduação em Linguística da UFMG, fazer o teste de proficiência na Aliança Francesa, pedir um adiamento de afastamento na UFPI e... arrumar as malas! Paris, aí vou eu...

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Adeus a Firmina...

Acabei de chegar em Belo Horizonte e recebi a notícia da morte da minha grande amiga e irmã Firmina. Ela foi vítima de um acidente automobilístico na estrada que liga Teresina a Picos.

Eu estava em Teresina esses dias. Fui para o aniversário de 14 anos do meu filho no domingo, 2 de maio. Grande alegria. Nesses 14 anos eu nunca havia me separado dele por mais de um mês. Agora temos que passar um ano distantes um do outro.
Mas ao chegar em BH, recebo esta terrível notícia. Foi como se o mundo tivesse desabado. Firmina foi (e sempre será) uma daquelas pessoas cuja presença nunca passa despercebida, pois irradia alegria por onde passa. Irreverente, extrovertida, simpática... um amor de pessoa.
Em Junho de 1993 fomos participar do Congresso Nacional da UNE em Goiânia. Um ônibus lotado com estudantes do campus da UFPI de Picos. Lembro-me de suas brincadeiras, palhaçadas, anedotas. Ninguém conseguia dormir com ela por perto. Nem no ônibus, nem nos alojamentos. Dormimos uma semana no chão duro das salas de aula da Universidade Federal de Goiás.
Em outubro do ano passado eu estive em Picos participando da I EXPOLIP - Exposição Literária de Picos. Foi a última vez que nos vimos. Na sua eterna irreverência, ela disparou: "Joãozinho, tua agora só quer ser doutor..." Rimos muito e nos despedimos.
Hoje, o céu, com certeza ficou mais alegre. Minha queridinha amiga, que Deus e os anjos do céu te recebam cheios de alegria e júbilo e que você continue a nos acompanhar com o teu sorriso e com a tua alegria. A amizade verdadeira dura para sempre! Adeus...

quinta-feira, 22 de abril de 2010

O sabor das gerais


Residindo há dois meses em Belo Horizonte, em função do meu doutorado em Linguística pela UFMG, estou experimentando, pela primeira vez na vida, as regalias de poder dedicar-me inteiramente aos estudos. Uma delas é poder usar o tempo livre para escrever baboseiras como essas, passatempo que considero "bom de mais da conta", como se fala por aqui. Apesar da curta estada, já pude deleitar-me com diversos aspectos da cultura mineira. Nada me chamou mais a atenção, no entanto, que o excesso de alho e torresmo da culinária. Adaptei-me facilmente. Os anos de penúria à base de arroz com feijão deixaram o meu paladar bastante flexível. O difícil é engolir o jiló, embora seja a estrela da 11ª edição de um Festival local de "comida di buteco", para mim, continua sendo comida de passarinho.

No aeroporto internacional Tancredo Neves, conhecido popularmente como aeroporto de Confins (nome da cidade na qual está localizado), fiquei maravilhado com tanta imponência. Obra digna da sexta maior cidade do país com dois milhões e meio de habitantes. Sempre imaginei que tivesse sido inaugurado recentemente. Ledo engano. Sua inauguração ocorreu em 1984 com a presença de Tancredo Neves e comitiva. Vi painéis com fotos. O problema é que fica a 38km de Belo Horizonte, sendo o mais distante aeroporto de sua região central no Brasil e isso gerou uma ociosidade que durou 20 anos. Somente em 2005 a Infraero forçou a transferência, para lá, de 120 voos do aeroporto da Pampulha. Esse, por sua vez é igualzinho ao de Teresina. Acho até que copiaram o projeto arquitetônico. Se o pequenino Pampulha suportou até 5 anos atrás o volume de passageiros diário de Belo Horizonte, penso que o de Teresina reinará absoluto por mais uns 50 anos.

Não sei se por conta do aquecimento global ou pela minha falsa expectativa, Belo Horizonte estava um verdadeiro caldeirão de quentura nos meses de fevereiro e março. Nada diferente do Piauí. A única coisa não muito quente por aqui é a acolhida dos mineiros. Talvez seja apenas a birra comum à gente da cidade grande ou a suposta introspecção dos ditos intelectuais, estudantes de pós-graduação da UFMG. É um povo todo delicado e refinado, porém frio. Prefiro o jeito piauiense, meio destabocado, todavia acolhedor. Costumo vangloriar-me por aqui afirmando que o piauiense é o povo mais doce e romântico que conheço, prova disso é a maravilhosa cena do beijo entre humanos, única no mundo retratada numa pintura rupestre, na Serra da Capivara.

Para se ter uma ideia das diferenças abissais entre o ensino superior mineiro e o piauiense, basta observar o fato de que em Minas Gerais existem 10 universidades federais contra uma no Piauí. Algumas inclusive, em municípios com apenas 60 mil habitantes como Ouro Preto (UFOP) e Viçosa (UFV). Partindo desse pressuposto, fico me perguntando o porquê de até hoje não ter sido aprovada a criação da Universidade Federal do Vale do Gurgueia e, por que não pensar na Universidade Federal do Vale do Guaribas, situada em Picos? Com todo respeito ao patrimônio histórico de Ouro Preto e à localização geográfica de Viçosa, a região de Picos bem que possui atributos e potenciais para também receber tal empreendimento. Imaginem a operacionalização e o gerenciamento de recursos de uma instituição como a UFPI, cujos campi estão localizados a distâncias superiores a mil quilômetros.

O centro de Belo Horizonte é um logogrifo impossível de decifrar. Parece um grande tabuleiro de xadrez com um círculo no meio. Tudo é milimetricamente traçado. Há uma fileira de ruas com os nomes de todos os estados brasileiros (andar na rua Piauí, no centro de BH é o máximo!) e outra fileira com nomes de tribos indígenas. Coisa de cidade planejada onde a planta vem antes do assentamento urbano. Os mineiros, desavisadamente, afirmam que Belo Horizonte foi a primeira capital planejada do Brasil. Onde já se viu isso? A primeira capital planejada foi Teresina (1852), obra do baiano Saraiva, o Conselheiro, seguida de Aracaju (1855) e só então veio Belo Horizonte (1897). Depois vieram Goiânia (1932), Brasília (1960) e a recente Palmas (1989). Aliás, o Brasil é campeão sul-americano de capitais planejadas, muito embora esse planejamento não consiga se impor durante muito tempo.

Não sou tão alheio à história do Piauí e conheço muitos piauienses contemporâneos famosos no cenário brasileiro, como o ex-governador do Rio de Janeiro, Moreira Franco, natural de Teresina; a atriz Natália do Valle, nascida em Floriano; o escritor Assis Brasil, filho de Parnaíba; o violonista picoense Erisvaldo Borges, etc. No entanto, folheando o livro "Chão de Minas", escrito pelos jornalistas Kao Martins, Paulinho Assunção e Sebastião Martins, lançado recentemente, deparei-me com uma descoberta por demais inusitada: Minas já teve um governador piauiense! É isso mesmo. O livro conta a história de Francelino Pereira dos Santos, nascido em 1921 na cidade de Angical – PI, filho do vaqueiro Venâncio. Ele estudou durante muitos anos no Liceu Piauiense, em Teresina. Depois partiu com a cara e a coragem para Minas, formou-se em Direito pela UFMG em 1949, elegeu-se vereador de Belo Horizonte, foi governador de Minas entre 1979 e 1983 e senador da república pelo mesmo estado de 1995 a 2003. É um verdadeiro ícone em Minas Gerais.

Continuo fazendo grandes descobertas por aqui, embora tenha que canalizar minhas inquietudes para o meu objeto de estudo: o discurso dos editoriais dos jornais impressos do estado do Piauí. De antemão, no entanto, já posso vislumbrar a ocorrência de um bom resultado.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Sport x Atlético MG no mineirão



Ontem fui ver Sport e Atlético mineiro, no mineirão. Oportunidade para conhecer o estádio. Em minha companhia estava o torcedor mais fanático do Sport: meu amigo Marinho. E eu, como sempre, torço para tudo quanto é time do Nordeste: Vitória, Bahia, Sport, Náutico, Fortaleza, Ceará etc. O difícil é quando jogam com o meu Flamengo do Rio... Mas não sou fanático!


Chegamos tranquilamente duas horas antes da partida pela Copa do Brasil. Minutos depois, chegava um ônibus trazendo 40 torcedores do Sport. Começou o quebra-quebra. Torcedores da Galoucura, uma torcida organizada do Atlético que estavam próximos de nós avançaram no ônibus com paus e pedras. Uma verdadeira aberração. Cerca de 100 policiais apareceram na hora e conseguiram conter a multidão. O ônibus adentrou as dependências do estádio.


Lá dentro, ficamos confinados na pior parte do estádio, cheia de pilares na frente. Protegidos por um cordão de isolamento e um batalhão da PM, cerca de 100 torcedores do Sport ficaram ali escondidinhos. Coisa vexatória.


Ao final, para nossa sorte, o Atlético venceu por 1 x 0. Já imaginou se o Sport ganha. Estaríamos fritos. Tivemos que esperar os 50 mil torcedores do Atlético deixarem o estádio, para, só depois sairmos por volta de 1h da manhã. Em mim ficou uma lição: nunca mais vou ao estádio para ficar no meio da torcida visitante...