Durante a realização do I COGITE - Colóquio de Estudos sobre Gêneros & Textos - que acontecerá na UFPI no próximo dia 18 de novembro, apresentarei um trabalho denominado: O gênero editorial e a “virgindade emocional”: mito ou realidade? O objetivo do trabalho, segundo o professor, é analisar a suposta frieza enunciativa atribuída aos editoriais de jornal. De acordo com o autor, o editorial pode ser um gênero com alto índice de "patemização", ou seja, pode ter a capacidade de suscitar emoções no auditório ao qual se destina. Vejam, abaixo, o resumo do trabalho:
O editorial, tal qual o texto científico, é visto pelo imaginário social como algo frio, impessoal, não emocional. Ao observarmos esse gênero textual, verificamos que razão e emoção parecem pertencer a domínios completamente antagônicos. Sem dúvida, as origens dessa separação remontam à oposição instaurada entre a razão e a emoção, que surge muito cedo na história da Filosofia. Essa oposição pressupõe frequentemente uma hierarquia entre dois polos, de tal forma que a emoção, primitiva, bestial, perigosa, desempenha um papel inferior ao da razão, sob o controle da qual deve ser colocada (Solomon, 1993). De acordo com Doury (2002), a estrutura científica, essencialmente processual, na qual o pensamento avança sob o controle rigoroso de protocolos lógico-experimentais, é vista como antinômica das emoções. Ainda a respeito da frieza científica, a autora afirma que essa “virgindade emocional” da ciência não constitui uma descrição da prática científica efetiva. Tal qual o discurso científico, o editorial também pode conter um alto índice de patemização, jogando por terra o mito da suposta virgindade emocional. Já não se pode mais ignorar a emoção como o fizeram Platão, seguido por outros tantos filósofos como Santo Agostinho até chegar a Kant e Descartes. Para o último, as paixões seriam signo de doença e, somente se fossem alijadas, a mente estaria em perfeita saúde. O presente trabalho é um recorte da minha pesquisa de doutorado na UFMG que trata dos processos argumentativos em editoriais da imprensa escrita do Piauí no período de 2007 a 2010. Nele, partimos das concepções de ethos, pathos e logos presentes na Retórica aristotélica e exploramos tais noções em trabalhos de autores contemporâneos, como Doury (2002), Amossy (2005) e Charaudeau (2010). Por meio de tal estudo, partimos do slogan utilizado pelo governo do Piauí no período de 2003 a 2010 “É feliz quem vive aqui” e destacamos o papel de destaque do pathos na construção de discursos jornalísticos veiculados pela imprensa local, considerando suas especificidades e peculiaridades regionais, constituídas mútua e polemicamente em torno de alguns acontecimentos políticos. Observamos as principais construções discursivas que visam a persuadir ou convencer os leitores através do recurso da patemização. Para efeito de análise, utilizamos um editorial publicado pelo jornal Meio Norte, do estado do Piauí, em três de abril de 2010, e, através desse discurso escrito, sublinhamos e analisamos o potencial patêmico dos marcadores argumentativos que reforçam a verdade, isto é, a ideia sobre a qual o orador deseja que seu auditório reflita e acolha. Nos discursos analisados, a emoção funciona como uma representação social, originando-se numa “racionalidade subjetiva”. Tal possibilidade faz do enunciador um porta-voz da sociedade, capaz de operacionalizar uma rede discursiva que favoreça o surgimento de adesões e comportamentos positivos frente ao conjunto de ideias formulado.
Palavras-chave: Gênero. Discurso. Mídia. Pathos.
Sessão: Gêneros jornalísticos na mídia
Nenhum comentário:
Postar um comentário