A arte do encontro

A vida é a arte do encontro, embora existam tantos desencontros pela vida...

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Falarei sobre a "virgindade emocional" do editorial no I COGITE - Colóquio de Estudos sobre Gêneros & Textos a ser realizado na UFPI no próximo dia 18 de novembro

Durante a realização do I COGITE - Colóquio de Estudos sobre Gêneros & Textos - que acontecerá na UFPI no próximo dia 18 de novembro, apresentarei um trabalho denominado: O gênero editorial e a “virgindade emocional”: mito ou realidade? O objetivo do trabalho, segundo o professor, é analisar a suposta frieza enunciativa atribuída aos editoriais de jornal. De acordo com o autor, o editorial pode ser um gênero com alto índice de "patemização", ou seja, pode ter a capacidade de suscitar emoções no auditório ao qual se destina. Vejam, abaixo, o resumo do trabalho:

O editorial, tal qual o texto científico, é visto pelo imaginário social como algo frio, impessoal, não emocional. Ao observarmos esse gênero textual, verificamos que razão e emoção parecem pertencer a domínios completamente antagônicos. Sem dúvida, as origens dessa separação remontam à oposição instaurada entre a razão e a emoção, que surge muito cedo na história da Filosofia. Essa oposição pressupõe frequentemente uma hierarquia entre dois polos, de tal forma que a emoção, primitiva, bestial, perigosa, desempenha um papel inferior ao da razão, sob o controle da qual deve ser colocada (Solomon, 1993). De acordo com Doury (2002), a estrutura científica, essencialmente processual, na qual o pensamento avança sob o controle rigoroso de protocolos lógico-experimentais, é vista como antinômica das emoções. Ainda a respeito da frieza científica, a autora afirma que essa “virgindade emocional” da ciência não constitui uma descrição da prática científica efetiva. Tal qual o discurso científico, o editorial também pode conter um alto índice de patemização, jogando por terra o mito da suposta virgindade emocional. Já não se pode mais ignorar a emoção como o fizeram Platão, seguido por outros tantos filósofos como Santo Agostinho até chegar a Kant e Descartes. Para o último, as paixões seriam signo de doença e, somente se fossem alijadas, a mente estaria em perfeita saúde. O presente trabalho é um recorte da minha pesquisa de doutorado na UFMG que trata dos processos argumentativos em editoriais da imprensa escrita do Piauí no período de 2007 a 2010. Nele, partimos das concepções de ethos, pathos e logos presentes na Retórica aristotélica e exploramos tais noções em trabalhos de autores contemporâneos, como Doury (2002), Amossy (2005) e Charaudeau (2010).  Por meio de tal estudo, partimos do slogan utilizado pelo governo do Piauí no período de 2003 a 2010 “É feliz quem vive aqui” e destacamos o papel de destaque do pathos na construção de discursos jornalísticos veiculados pela imprensa local, considerando suas especificidades e peculiaridades regionais, constituídas mútua e polemicamente em torno de alguns acontecimentos políticos. Observamos as principais construções discursivas que visam a persuadir ou convencer os leitores através do recurso da patemização. Para efeito de análise, utilizamos um editorial publicado pelo jornal Meio Norte, do estado do Piauí, em três de abril de 2010, e, através desse discurso escrito, sublinhamos e analisamos o potencial patêmico dos marcadores argumentativos que reforçam a verdade, isto é, a ideia sobre a qual o orador deseja que seu auditório reflita e acolha. Nos discursos analisados, a emoção funciona como uma representação social, originando-se numa “racionalidade subjetiva”. Tal possibilidade faz do enunciador um porta-voz da sociedade, capaz de operacionalizar uma rede discursiva que favoreça o surgimento de adesões e comportamentos positivos frente ao conjunto de ideias formulado.

Palavras-chave: Gênero. Discurso. Mídia. Pathos.

Sessão: Gêneros jornalísticos na mídia

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Representarei a UFPI em evento internacional

Eu e o linguista francês Dominique Maingueneau


Representarei a UFPI no IX Congresso Latino-Americano de Estudos do Discurso que acontecerá no período de 1 a 4 de novembro de 2011 no campus da UFMG, em Belo Horizonte. O evento tem como tema: "Discursos da América Latina: vozes, sentidos e identidades". Na oportunidade, apresentarei o trabalho intitulado: "Vozes do Piauí: a produção de sentidos e a construção de identidades em discursos de editoriais da imprensa escrita". O evento contará com a participação de pesquisadores estrangeiros como Dominique Maingueneau, Patrick Charaudeau e Teun A. van Dijk, além de grandes nomes da linguística no Brasil como Ingedore Villaça Koch e José Luiz Fiorin. Maiores informações podem ser obtidas no endereço: http://www.ufmg.br/eventos/congressoaled/

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Comentei pesquisa sobre leitura na TV Meio Norte



Participei do programa Super Top da TV Meio Norte na última quinta-feira, 1° de setembro comentando pesquisa recente que aponta deficiências de leitura entre os estudantes brasileiros. Segundo a pesquisa, mais de 40% dos alunos que concluíram o 3° ano do ensino fundamental não têm o aprendizado em leitura esperado para essa etapa. Isso significa que não dominam bem atividades como localizar informações em um texto ou o tema de uma narrativa. Esse é o resultado de uma avaliação aplicada no primeiro semestre deste ano a 6 mil alunos de escolas municipais, estaduais e privadas de todas as capitais do país. O objetivo era aferir o nível de aprendizado das crianças no início da vida escolar, após os três primeiros anos de estudo.

A Prova ABC é uma parceria do movimento Todos Pela Educação, do Instituto Paulo Montenegro/Ibope, da Fundação Cesgranrio e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). A avaliação utilizou a mesma escala da desempenho adotada pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), exame aplicado pelo Ministério da Educação (MEC) aos alunos do 5° e 9° do ensino fundamental. Por esse modelo, o aluno tem o aprendizado considerado adequado quando atinge 175 pontos. O desempenho médio em leitura dos alunos participantes da Prova ABC foi 185,5 pontos – mas há grande variação nas notas de escolas públicas e privadas e entre estudantes do Norte e Nordeste em relação ao restante do país.

Enquanto os alunos das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste tiveram desempenho acima da média nacional – chegando a 197 pontos no Sul – os do Norte e Nordeste atingiram, respectivamente, 172 e 167 pontos. Os resultados também variam entre as escolas públicas e particulares: a média dos estudantes da rede pública foi 175,8 pontos, contra 216,7 entre os da rede privada.

Os alunos que participaram da prova também fizeram uma redação para avaliar competências como coesão, coerência e adequação do texto ao tema proposto, além da observação das normas ortográficas e de pontuação. O desempenho esperado, em uma escala de 0 a 100, era pelo menos 75 pontos. Mas a média nacional foi 68,1, sendo a nota dos alunos das escolas públicas seis pontos inferior a essa média e a dos estudantes da rede privada, 18 pontos superior.

Também foi avaliado o conhecimento dos participantes em matemática, cuja média nacional foi 171,1 pontos - abaixo do nível determinado como aprendizado adequado. O aluno precisaria atingir 175 para ser considerado apto a resolver problemas envolvendo notas e moedas, além de dominar a adição e a subtração. Apenas 42% do total dos avaliados atingiram esse patamar.

As habilidades dos estudantes com os números também foi superior na rede privada, cuja média foi 211,2 pontos contra 158 na pública. Os alunos do Norte e Nordeste também tiveram resultados inferiores – 152,6 e 158, 2 pontos respectivamente – em relação aos participantes do Sul (185 pontos), Sudeste (179 pontos) e Centro-Oeste (176 pontos).
Fonte: Agência Brasil.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Participarei de evento científico na UFRN em Natal.

Integrantes do Grupo de Pesquisa em Gênero, Texto e Discurso – CATAPHORA – irão participar do VI Simpósio Internacional de Gênero Textuais – SIGET – no período de 16 a 19 de agosto próximo, no Praiamar Natal Hotel & Convention, em Natal (RN).

O SIGET, que ocorre bienalmente, agrega pesquisadores do Brasil e também do exterior que se dedicam ao estudo dos gêneros de discurso sob os mais diversos vieses teóricos. São objetivos desse evento discutir, divulgar e reanalisar questões teóricas e aplicadas aos gêneros de discurso além de oportunizar discussões sobre assuntos relevantes para compor políticas governamentais aplicadas ao ensino.

O evento é composto por conferências, mesas-redondas, painéis, simpósios temáticos, sessões de comunicação individual, sessões de pôsteres, minicursos, lançamento de livros e atividades culturais. Os integrantes do Cataphora participarão de apresentação de pôster, de comunicação individual e do grupo temático “Gêneros: a tensão entre versatilidade e permanência”, coordenado pelo professor Dr. Francisco Alves Filho da Universidade Federal do Piauí (e também coordenador do Cataphora) e pela professora Dra. Aurea Zavam, da Universidade Federal do Ceará. O principal objetivo desse simpósio temático é tecer discussões sobre o caráter dinâmico e flexível dos gêneros, observando-os tanto sincronicamente como em uma perspectiva diacrônica e relacionando-os às forças centrípetas e centrífugas que conferem aos gêneros o poder de adaptabilidade e permanência.

Os membros do Grupo CATAPHORA apresentarão os trabalhos: “As universidades tuitam recorrentemente o quê?” (Bruno Diego – UFPI), “O gênero editorial de jornal pela ótica dos leitores” (Digenário Pessoa – UEMA), “O gênero editorial e o princípio da alteridade” (João Benvindo de Moura – UFPI), “Gênero entrevista de emprego” (Lafity do Santos Silva – UEMA/IDB), Ação pragmática desempenhada pelos perfis fakes de celebridades no Twitter: a visão dos criadores (Leila Rachel – UFPI), “O que vira notícia? As operações de retextualização em notícias de portais on-line” (Maria Lourdilene Vieira – UFMG/UFMA), “Gênero e propósitos comunicativos: uma análise de editoriais de jornal” (Emanoel Barbosa – UFPI) e “Processo de recategorização e construção de efeitos de sentido no Twitter” (Silvana Calixto – UFPI/UESPI). Também participarão do simpósio coordenado pelo professor Francisco Alves e pela professora Aurea Zavam, pesquisadores de outras instituições brasileiras e do exterior.

Fonte: http://cataphora.blogspot.com/2011/08/grupocataphora-participara-do-vi-siget.html

domingo, 31 de julho de 2011

A rifa do burro

Certa vez três meninos, Daniel, Edir e Gilmar foram ao campo e, por 100 reais, compraram o burro de um velho camponês.

O homem combinou entregar-lhes o animal no dia seguinte. Mas quando eles voltaram para levar o burro, o camponês lhes disse:

- Sinto muito, amigos, mas tenho uma má notícia. O burro morreu.
- Então devolva-nos o dinheiro!
- Não posso, já o gastei todo.
- Então, de qualquer forma, queremos o burro.
- E para que o querem? O que vão fazer com ele?
- Nós vamos rifá-lo.
- Estão loucos? Como vão rifar um burro morto?
- Obviamente não vamos dizer a ninguém que ele está morto.

Um mês depois, o camponês se encontrou novamente com os três garotos e lhes perguntou:

- E então, o que aconteceu com o burro?
- Como lhe dissemos, o rifamos. Vendemos 500 números a 2 reais cada um e arrecadamos 1.000 reais.
- E ninguém se queixou?
- Só o ganhador. Porém lhe devolvemos os 2 reais e ficou tudo resolvido.

Os meninos cresceram e fundaram um banco chamado Bradesco, uma igreja chamada Universal e o último, de nome Gilmar Mendes, tornou-se Presidente do Supremo Tribunal Federal!

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Os linguistas "aceitam tudo"?


Sírio Possenti
De Campinas (SP)

De vez em quando, alguém diz que lingüistas "aceitam" tudo (isto é, que acham certa qualquer construção). Um comentário semelhante foi postado na semana passada. Achei que seria uma boa oportunidade para tentar esclarecer de novo o que fazem os linguistas.

Mas a razão para tentar ser claro não tem mais a ver apenas com aquele comentário. Surgiu uma celeuma causada por notas, comentários, entrevistas etc. a propósito de um livro de português que o MEC aprovou e que ensinaria que é certo dizer Os livro. Perguntado no espaço dos comentários, quando fiquei sabendo da questão, disse que não acreditava na matéria do IG, primeira fonte do debate. Depois tive acesso à indigitada página, no mesmo IG, e constatei que todos os que a leram a leram errado. Mas aposto que muitos a comentaram sem ler.

Vou tratar do tal "aceitam tudo", que vale também para o caso do livro.

Primeiro: duvido que alguém encontre esta afirmação em qualquer texto de linguística. É uma avaliação simplificada, na verdade, um simulacro, da posição dos linguistas em relação a um dos tópicos de seus estudos - a questão da variação ou da diversidade interna de qualquer língua. Vale a pena insistir: de qualquer língua.

Segundo: "aceitar" é um termo completamente sem sentido quando se trata de pesquisa. Imaginem o ridículo que seria perguntar a um químico se ele aceita que o oxigênio queime, a um físico se aceita a gravitação ou a fissão, a um ornitólogo se ele aceita que um tucano tenha bico tão desproporcional, a um botânico se ele aceita o cheiro da jaca, ou mesmo a um linguista se ele aceita que o inglês não tenha gênero nem subjuntivo e que o latim não tivesse artigo definido.

Não só não se pergunta se eles "aceitam", como também não se pergunta se isso tudo está certo. Como se sabe, houve época em que dizer que a Terra gira ao redor do sol dava fogueira. Semmelveis foi escorraçado pelos médicos que mandavam em Viena porque disse que todos deveriam lavar as mãos antes de certos procedimentos (por exemplo, quem viesse de uma autópsia e fosse verificar o grau de dilatação de uma parturiente). Não faltou quem dissesse "quem é ele para mandar a gente lavar as mãos?"

Ou seja: não se trata de aceitar ou de não aceitar nem de achar ou de não achar correto que as pessoas digam os livro. Acabo de sair de uma fila de supermercado e ouvi duas lata, dez real, três quilo a dar com pau. Eu deveria mandar esses consumidores calar a boca? Ora! Estávamos num caixa de supermercado, todos de bermuda e chinelo! Não era um congresso científico, nem um julgamento do Supremo!

Um linguista simplesmente "anota" os dados e tenta encontrar uma regra, isto é, uma regularidade, uma lei (não uma ordem, um mandato).

O caso é manjado: nesta variedade do português, só há marca de plural no elemento que precede o nome - artigo ou numeral (os livro, duas lata, dez real, três quilo). Se houver mais de dois elementos, a complexidade pode ser maior (meus dez livro, os meus livro verde etc.). O nome permanece invariável. O linguista vê isso, constata isso. Não só na fila do supermercado, mas também em documentos da Torre do Tombo anteriores a Camões. Portanto, mesmo na língua escrita dos sábios de antanho.

O linguista também constata the books no inglês, isto é, que não há marca de plural no artigo, só no nome, como se o inglês fosse uma espécie de avesso do português informal ou popular. O linguista aceita isso? Ora, ele não tem alternativa! É um dado, é um fato, como a combustão, a gravitação, o bico do tucano ou as marés. O linguista diz que a escola deve ensinar formas como os livro? Esse é outro departamento, ao qual volto logo.

Faço uma digressão para dar um exemplo de regra, porque sei que é um conceito problemático. Se dizemos "as cargas", a primeira sílaba desta sequência é "as". O "s" final é surdo (as cordas vocais não vibram para produzir o "s"). Se dizemos "as gatas", a primeira sílaba é a "mesma", mas nós pronunciamos "az" - com as cordas vocais vibrando para produzir o "z". Por que dizemos um "z" neste caso? Porque a primeira consoante de "gatas" é sonora, e, por isso, a consoante que a antecede também se sonoriza. Não acredita? Vá a um laboratório e faça um teste. Ou, o que é mais barato, ponha os dedos na sua garganta, diga "as gatas" e perceberá a vibração. Tem mais: se dizemos "as asas", não só dizemos um "z" no final de "as", como também reordenamos as sílabas: dizemos as.ga.tas e as.ca.sas, mas dizemos a.sa.sas ("as" se dividiu, porque o "a" da palavra seguinte puxou o "s/z" para si). Dividimos "asas" em "a.sas", mas dividimos "as asas" em a.sa.sas.

Volto ao tema do linguista que aceitaria tudo! Para quem só teve aula de certo / errado e acha que isso é tudo, especialmente se não tiver nenhuma formação histórica que lhe permitiria saber que o certo de agora pode ter sido o errado de antes, pode ser difícil entender que o trabalho do linguista é completamente diferente do trabalho do professor de português.

Não "aceitar" construções como as acima mencionadas ou mesmo algumas mais "chocantes" é, para um linguista, o que seria para um botânico não "aceitar" uma gramínea. O que não significa que o botânico paste.

Proponho o seguinte experimento mental: suponha que um descendente seu nasça no ano 2500. Suponha que o português culto de então inclua formas como "A casa que eu moro nela mais os dois armário vale 300 cabral" (acho que não será o caso, mas é só um experimento). Seu descendente nunca saberá que fala uma língua errada. Saberá, talvez (se estudar mais do que você), que um ancestral dele falava formas arcaicas do português, como 300 cabrais.

Outro tema: o linguista diz que a escola deve ensinar a dizer Os livro? Não. Nenhum linguista propõe isso em lugar nenhum (desafio os que têm opinião contrária a fornecer uma referência). Aliás, isso não foi dito no tal livro, embora todos os comentaristas digam que leram isso.

O linguista não propõe isso por duas razões: a) as pessoas já sabem falar os livro, não precisam ser ensinadas (observe-se que ninguém falao livros, o que não é banal); b) ele acha - e nisso tem razão - que é mais fácil que alguém aprenda os livros se lhe dizem que há duas formas de falar do que se lhe dizem que ele é burro e não sabe nem falar, que fala tudo errado. Há muitos relatos de experiências bem sucedidas porque adotaram uma postura diferente em relação à fala dos alunos.

Enfim, cada campo tem seus Bolsonaros. Merecidos ou não.

PS 1 - todos os comentaristas (colunistas de jornais, de blogs e de TVs) que eu ouvi leram errado uma página (sim, era só UMA página!) do livro que deu origem à celeuma na semana passada. Minha pergunta é: se eles defendem a língua culta como meio de comunicação, como explicam que leram tão mal um texto escrito em língua culta? É no teste PISA que o Brasil sempre tem fracassado, não é? Pois é, este foi um teste de leitura. Nosso jornalismo seria reprovado.

PS 2 - Alexandre Garcia começou um comentário irado sobre o livro em questão assim, no Bom Dia, Brasil de terça-feira: "quando eu TAVA na escola...". Uma carta de leitor que criticava a forma "os livro" dizia "ensinam os alunos DE que se pode falar errado". Uma professora entrevistada que criticou a doutrina do livro disse "a língua é ONDE nos une" e Monforte perguntou "Onde FICA as leis de concordância?". Ou seja: eles abonaram a tese do livro que estavam criticando. Só que, provavelmente, acham que falam certinho! Não se dão conta do que acontece com a língua DELES mesmos!!

Fonte: http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5137669-EI8425,00-Aceitam+tudo.html

Sírio Possenti é professor associado do Departamento de Linguística da Unicamp e autor de Por que (não) ensinar gramática na escola, Os humores da língua, Os limites do discurso, Questões para analistas de discurso e Língua na Mídia.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Discussão sobre livro didático só revela ignorância da grande imprensa


Marcos Bagno
Universidade de Brasília


Para surpresa de ninguém, a coisa se repetiu. A grande imprensa brasileira mais uma vez exibiu sua ampla e larga ignorância a respeito do que se faz hoje no mundo acadêmico e no universo da educação no campo do ensino de língua.

Jornalistas desinformados abrem um livro didático, leem metade de meia página e saem falando coisas que depõem sempre muito mais contra eles mesmos do que eles mesmos pensam (se é que pensam nisso, prepotentemente convencidos que são, quase todos, de que detêm o absoluto poder da informação).

Polêmica? Por que polêmica, meus senhores e minhas senhoras? Já faz mais de quinze anos que os livros didáticos de língua portuguesa disponíveis no mercado e avaliados e aprovados pelo Ministério da Educação abordam o tema da variação linguística e do seu tratamento em sala de aula. Não é coisa de petista, fiquem tranquilas senhoras comentaristas políticas da televisão brasileira e seus colegas explanadores do óbvio.

Já no governo FHC, sob a gestão do ministro Paulo Renato, os livros didáticos de português avaliados pelo MEC começavam a abordar os fenômenos da variação linguística, o caráter inevitavelmente heterogêneo de qualquer língua viva falada no mundo, a mudança irreprimível que transformou, tem transformado, transforma e transformará qualquer idioma usado por uma comunidade humana. Somente com uma abordagem assim as alunas e os alunos provenientes das chamadas “classes populares” poderão se reconhecer no material didático e não se sentir alvo de zombaria e preconceito.

E, é claro, com a chegada ao magistério de docentes provenientes cada vez mais dessas mesmas “classes populares”, esses mesmos profissionais entenderão que seu modo de falar, e o de seus aprendizes, não é feio, nem errado, nem tosco, é apenas uma língua diferente daquela – devidamente fossilizada e conservada em formol – que a tradição normativa tenta preservar a ferro e fogo, principalmente nos últimos tempos, com a chegada aos novos meios de comunicação de pseudoespecialistas que, amparados em tecnologias inovadoras, tentam vender um peixe gramatiqueiro para lá de podre.

Enquanto não se reconhecer a especificidade do português brasileiro dentro do conjunto de línguas derivadas do português quinhentista transplantado para as colônias, enquanto não se reconhecer que o português brasileiro é uma língua em si, com gramática própria, diferente da do português europeu, teremos de conviver com essas situações no mínimo patéticas.

A principal característica dos discursos marcadamente ideologizados (sejam eles da direita ou da esquerda) é a impossibilidade de ver as coisas em perspectiva contínua, em redes complexas de elementos que se cruzam e entrecruzam, em ciclos constantes. Nesses discursos só existe o preto e o branco, o masculino e o feminino, o mocinho e o bandido, o certo e o errado e por aí vai.

Darwin nunca disse em nenhum lugar de seus escritos que “o homem vem do macaco”. Ele disse, sim, que humanos e demais primatas deviam ter se originado de um ancestral comum. Mas essa visão mais sofisticada não interessava ao fundamentalismo religioso que precisava de um lema distorcido como “o homem vem do macaco” para empreender sua campanha obscurantista, que permanece em voga até hoje (inclusive no discurso da candidata azul disfarçada de verde à presidência da República no ano passado).

Da mesma forma, nenhum linguista sério, brasileiro ou estrangeiro, jamais disse ou escreveu que os estudantes usuários de variedades linguísticas mais distantes das normas urbanas de prestígio deveriam permanecer ali, fechados em sua comunidade, em sua cultura e em sua língua. O que esses profissionais vêm tentando fazer as pessoas entenderem é que defender uma coisa não significa automaticamente combater a outra. Defender o respeito à variedade linguística dos estudantes não significa que não cabe à escola introduzi-los ao mundo da cultura letrada e aos discursos que ela aciona. Cabe à escola ensinar aos alunos o que eles não sabem! Parece óbvio, mas é preciso repetir isso a todo momento.

Não é preciso ensinar nenhum brasileiro a dizer “isso é para mim tomar?”, porque essa regra gramatical (sim, caros leigos, é uma regra gramatical) já faz parte da língua materna de 99% dos nossos compatriotas. O que é preciso ensinar é a forma “isso é para eu tomar?”, porque ela não faz parte da gramática da maioria dos falantes de português brasileiro, mas por ainda servir de arame farpado entre os que falam “certo” e os que falam “errado”, é dever da escola apresentar essa outra regra aos alunos, de modo que eles – se julgarem pertinente, adequado e necessário – possam vir a usá-la TAMBÉM. O problema da ideologia purista é esse também. Seus defensores não conseguem admitir que tanto faz dizer assisti o filme quanto assiti ao filme, que a palavra óculos pode ser usada tanto no singular (o óculos, como dizem 101% dos brasileiros) quanto no plural (os óculos, como dizem dois ou três gatos pingados).

O mais divertido (para mim, pelo menos, talvez por um pouco de masoquismo) é ver os mesmos defensores da suposta “língua certa”, no exato momento em quea defendem, empregar regras linguísticas que a tradição normativa que eles acham que defendem rejeitaria imediatamente. Pois ontem, vendo o Jornal das Dez, da GloboNews, ouvi da boca do sr. Carlos Monforte essa deliciosa pergunta: “Como é que fica então as concordâncias?”. Ora, sr. Monforte, eu lhe devolvo a pergunta: “E as concordâncias, como é que ficam então?

Fonte: http://marcosbagno.com.br/site/?page_id=745

domingo, 15 de maio de 2011

CATAPHORA: Convite para defesa de Dissertação do Mestrado em Letras

Queridos Lafity e Digenário,
Parabéns pela conclusão do trabalho. A defesa é apenas um ritual de passagem. Tenho certeza de que o empenho, a dedicação e a competência de vocês prevalecerão sempre! Vocês representam o futuro da Educação do Piauí e do Brasil. Portanto, continuem subindo, não somente para ser vistos, mas, sobretudo, para VER MELHOR! Farei o possível para estar presente. Grande abraço, João Benvindo.

terça-feira, 3 de maio de 2011

1 ano sem Firmina...


Hoje faz 1 ano que perdemos nossa querida amiga Firmina. Acordei cedinho e fiquei lembrando de todas as nossas brincadeiras, viagens, aventuras.

Na foto acima, feita em Agosto de 1993, estávamos participando do Congresso Nacional da UNE em Goiânia. Um ônibus lotado com estudantes da UFPI. Lembro-me de suas brincadeiras, palhaçadas, anedotas. Ninguém conseguia dormir com ela por perto. Nem no ônibus, nem nos alojamentos. Dormimos uma semana no chão duro das salas de aula da Universidade Federal de Goiás.

Em outubro de 2009 eu estive em Picos participando da I EXPOLIP - Exposição Literária de Picos. Foi a última vez que nos vimos. Na sua eterna irreverência, ela disparou: "Joãozinho, tua agora só quer ser doutor..." Rimos muito e nos despedimos.

Nos últimos 12 meses o céu, com certeza, ficou mais alegre. Minha queridinha amiga, que Deus e os anjos do céu te acompanhem cheios de alegria e júbilo e que você continue a nos acompanhar com o teu sorriso e com a tua alegria. A amizade verdadeira dura para sempre!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

O caçador de ossos


Existe o osso calcâneo, o osso compacto, o osso curto, o osso dérmico e o osso do quadril. Também existem os ossos pneumáticos, cheios de ar, que ajudam as aves a voar. Mas isso eu só vim aprender depois. Existe até o “osso de correr” ou como dizíamos na época, “o osso corredor”. Esse era o que eu mais gostava. Era robusto, rijo e, o mais importante: pesado.

Até hoje não sei ao certo qual era o destino daquela montanha de ossos que semanalmente se formava num terreno baldio, na esquina entre a rua Pedro Evêncio e a travessa Castelo Branco, no bairro Junco, periferia de Picos. A maior parte da ossada era bovina. Resíduos de um cardápio limitado que, após saciar a fome, iam parar no monturo. Não havia coleta de lixo. Outra parte era composta pela carcaça de animais que morriam atropelados ou vitimados por alguma doença. Eram jogados ao léu, tinham a carne e as vísceras devoradas pelos urubus e os ossos que sobravam, transformavam-se em ganha pão numa espécie de cadeia alimentar. Eram acondicionados em pequenos sacos sujos e rotos. Uma legião de mãozinhas pequenas se encarregava de fazer o trabalho, pelo qual recebiam o que hoje equivaleria a, aproximadamente, dez centavos por quilo.

Se por um lado o destino de toda aquela ossaria era desconhecido, por outro, não faltavam especulações: “é para fazer botões, pentes e outros artefatos”, diziam alguns; “é para fazer adubo”, diziam outros. Mas para Dona Maria Benzedeira não havia dúvidas: “é para fazer bolacha, meu filho. Daquelas recheadas”. Não sei se sua pressuposição se dava por ignorância ou por estratégia de economia, afinal, a meninada era viciada em biscoito recheado, iguaria saboreada em momentos raros. O comum mesmo era a bolacha Maria. Embalada em caixas de papelão com dois quilos, tinha baixo custo, tornado-se mais acessível. Cada família, com uma média de quatro filhos, comprava uma caixa por mês. O fato é que durante anos fiquei enojado e não havia acordo para que eu comesse uma bolacha recheada. Ficava imaginando os ossos mal cheirosos de carniças sendo triturados, virando pó e, o tutano, misturado com açúcar derretido, se transformando em recheio.

Dia a dia, sol a pino, pés descalços, disputávamos osso a osso como se fosse uma gincana. Nada de tristeza. Era como se estivéssemos num parque empinando pipa (soltando papagaio, como chamávamos) ou jogando futebol. Na verdade, era um jogo. Quem encontrasse mais, ganhava mais pontos, ou seja, mais dinheiro. Era o nosso videogame da vida real. Materiais como ferro e alumínio também poderiam ser vendidos, até por um preço melhor, mas era mais difícil de achar.

Certo dia, nas imediações da fábrica de coca-cola, fiz uma grande descoberta. Era um enorme tacho, uma espécie de vazo de metal, largo e de pouca fundura, com asas e algumas avarias. Geralmente utilizado em festas para preparar grande quantidade de alimentos, havia sido abandonado por alguém, no meio do mato, próximo a uma casinha de taipa. Fiquei observando e calculando o peso. Aproximadamente uns dez quilos de ferro. O dobro do preço do osso. Uma fortuna. Mas como carregaria tudo aquilo dentro de um saco? Talvez um carrinho de mão ajudasse, mas, meu pai, certamente não o confiaria a mim. Quem sabe umas pauladas o fizessem diminuir o volume, facilitando o transporte, mas era um ferro grosso e dificilmente envergaria.

Enfim, dificuldades e recompensas devidamente ponderadas, nada haveria de ser impossível para um verdadeiro caçador de tesouros. Um pequeno cordão de rede, de aproximadamente dois metros que carregara sempre comigo, dentro do bolso da calça, poderia ser a solução do problema. Eu o amarraria numa das asas do tacho e sairia puxando por uns dois ou três quilômetros. Moleza.

Ao tentar executar o primeiro passo do plano, porém, uma surpresa fatídica. Tinha uma pedra no meio do caminho, ou pior, havia uma galinha choca embaixo do tacho. Amparada pela proteção blindada, com uma pequena abertura causada pela ferrugem, estabeleceu ali sua ninhada. E existe bicho mais enfezado que uma galinha choca?

Tamanha foi a balbúrdia que despertou a atenção de toda a vizinhança. Foi aí que a coisa se complicou. Ouvi de longe a acusação fatal: “pega o ladrão de galinha!”. Era o fim de uma carreira tão prodigiosa. De caçador de tesouros, virei ladrão de galinha. Num sobressalto, larguei o tacho e disparei correndo por entre as veredas abertas em meio à jurema e ao mata-pasto. Ninguém, melhor que eu, conhecia aquele labirinto. Em questão de segundos, havia desaparecido entre os arbustos, como um caipora encantado na floresta.

Passei dias desconfiado em casa, com medo que alguém houvesse me reconhecido e fizesse uma denúncia aos meus pais. Apesar de toda pobreza e carência, roubar coisas alheias era crime inafiançável em nosso código de ética familiar e, até que eu conseguisse provar minha inocência, talvez já tivesse levado umas boas chineladas. Resolvi abandonar a profissão de caçador de ossos, de ferro, de alumínio. Tornei-me caçador de letras. É bem verdade que, vez por outra, ainda aparecem na minha vida algumas galinhas chocas, mas, apesar da balbúrdia que causam, acabam por me fazer perceber que existem outros caminhos a seguir...

quinta-feira, 24 de março de 2011

O tempo


A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

Mário Quintana.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A novela da UESPI em Picos



A situação do campus da UESPI de Picos é realmente estarrecedora e parece ter raízes históricas, a começar pelo local de instalação do mesmo na década de 1990 em espaço onde funcionava o antigo Campus Avançado da Universidade Federal de Goiás cuja principal atividade era o Projeto Rondon. Tratava-se de um terreno de, aproximadamente, vinte mil metros quadrados localizado no bairro Junco, onde havia uma sede administrativa, quadras de esporte, laboratórios e uma imensa área verde com árvores frondosas.

Quando da minha gestão na presidência da Associação de Moradores do Bairro Junco, no período de 1991 a 1993, apresentei vários projetos à Prefeitura de Picos e ao governo do estado, no sentido de transformar aquela área num Parque Municipal com trilhas, praças, lagos, espaços para práticas de esporte etc. Seria um investimento pequeno tendo em vista que grande parte da infra-estrutura já estava pronta e a área verde já existia. Picos passaria a ter, assim, um espaço ecológico para descanso e lazer, destoando um pouco da lama e da poeira tão características, infelizmente, da nossa cidade.

Inesperadamente e de forma irracional, esse espaço passou a ser “loteado” a partir de 1993 para abrigar algumas obras e serviços do estado. Centenas de árvores robustas foram derrubadas para dar lugar a prédios públicos que poderiam ser construídos em diversos outros locais. Primeiro, a construção da CEASA. Depois, a construção de um posto do DETRAN. Em seguida, um ginásio poliesportivo cuja obra foi superfaturada e embargada logo depois e, por último, um campus da UESPI com seis cursos e seis salas de aula, uma verdadeira aberração seja do ponto de vista administrativo ou pedagógico.

Quase o mesmo destino teve o Campus da UFPI. Construído no início da década de 1990 dentro de um riacho, num terreno pantanoso, bem próximo de onde, mais tarde, seria edificado o campus da UESPI. Quando comecei a fazer faculdade, em 1993, precisávamos tirar o tênis e arregaçar as calças para transpor uns quinhentos metros de pura lama. Ainda tenho fotos e vídeos dessa aventura (para não chamar de descaso). A sorte do campus da Federal é que, nos últimos 8 anos, o governo Lula derramou dinheiro a balde para expansão das Instituições Federais de Ensino Superior. Tanto para o aumento da quantidade de cursos, quanto para ampliação das instalações. Milhões de reais, portanto, já foram enterrados dentro da lagoa da UFPI para aterro, drenagem e desvio do curso das águas. Daria para construir um prédio de 10 andares em outro local. Em Teresina, a UFPI construiu dezenas de quebra-molas e um portal na entrada do campus para conseguir gastar o dinheiro todo.

O poder público alega a ausência de espaço urbano para sediar os prédios públicos. O IFET foi parar no Pantanal. O incrível é que a Igreja Universal instalou-se facilmente em plena Praça Félix Pachêco, ocupando um espaço onde outrora funcionava o cinema da cidade. O grupo Carvalho parece não ter tido tanta dificuldade para construir seu supermercado em frente à rodoviária. Pascoal Silva não demorou a encontrar espaço para construir um posto de gasolina, hotel e ampla área de estacionamento em frente ao DNIT. É bem verdade que os terrenos mais próximos do centro custam bem mais caro. Mas será que o nosso povo não merece serviços públicos eficientes e mais próximos de onde moram? E quem disse que os terrenos doados ou adquiridos em locais inadequados representam economia para os cofres públicos. O campus da UFPI que o diga.

Voltando à UESPI, o prédio inicial não possuía estrutura para abrigar sequer uma creche, mas nele foi instalado, com pomposa festa, um campus universitário. E a cada vinda de Mão Santa a Picos era assinada uma autorização para criação de um novo curso. Não demorou muito para todos perceberem o óbvio: o espaço era insuficiente para acomodar a quantidade de alunos. Eis que a sábia equipe do governo do Piauí resolveu reformar um prédio abandonado no cafundó do Judas onde antes funcionava o SESI para servir de novo campus da UESPI. Região desabitada, fora da zona urbana da cidade em meio ao escuro e ao desolamento. De animador mesmo, só havia um motel em frente. Para lá foram "banidos" os cursos tidos pelo governo como de “terceira categoria”, ficando os cursos da elite, obviamente, mais próximos da civilização.

A UESPI era, no governo de Mão Santa, uma fábrica de fazer voto. Com mais de dois mil professores, apenas 100 eram efetivos, os outros eram “temporários”. Um verdadeiro cabide de emprego. E quem não lembra dos escândalos do curso de medicina. Os filhos da elite faziam vestibulares em universidades privadas pelo Brasil afora e logo em seguida “ganhavam” a transferência para a UESPI. Entravam 40 alunos para o Curso de Direito pelo Vestibular e na formatura havia 120 concludentes. Era o milagre da multiplicação, em todos os sentidos! Não havia dotação orçamentária para dar suporte à UESPI e os alunos pagavam taxas e mensalidades exorbitantes.

Entra o governo do PT em 2003. A turma de dinossauros começa a se aproximar de Wellington. Era a velha estratégia: “Quando não se consegue vencer o inimigo, junte-se a ele”. Jônathas recebe de presente a Superintendência de Ciência e Tecnologia. Fernando Monteiro, a Secretaria de Defesa Civil. Warton, o eterno suporte de Zé Néri, vira líder do governo (quem diria!!!) e Kleber, que entrou na Assembleia junto com a Proclamação da República, passa a ser o Conselheiro-mor do governador. Aliás, um grande amigo me fez outro dia uma afirmação pitoresca: “Wellington Dias realizou a incrível façanha de destruir e ressuscitar as oligarquias do Piauí”. Pois bem, sabendo da bomba relógio que era a UESPI, Kleber convence Wellington a “prestigiar” alguém do PT com a direção da mesma e, sorrateiramente, sugere entregar o presente de grego à Oneide Rocha. Era um plano muito bem bolado para aniquilar o PT de Picos e abrir espaço para o PMDB na cidade. O PT engoliu a isca direitinho.

Sem dotação orçamentária suficiente para gerir a Instituição, Oneide passa a assumir aquele que seria o mais contraditório discurso de toda a sua vida política: a manutenção da cobrança de taxas numa universidade pública. Como não pertencia ao corpo docente da instituição, enfrentou toda sorte de hostilidades até, finalmente, desgastada, entregar o cargo. Havia se consolidado, no entanto, a eleição direta para reitor, um marco histórico na trajetória da UESPI. Somente nos anos de 2003 e 2004 foram contratados, através de concurso público, 284 novos professores efetivos para a universidade, além de imenso investimento na qualificação dos mesmos e instituição de um plano de carreira, cujos salários, em alguns casos, chegam a ser superiores ao dos professores da UFPI. A área dos recursos humanos estava consolidada.

Diversos cursos com pouca procura foram cancelados, possibilitando um investimento maior em outros setores. A UESPI parecia estar fazendo sua lição de casa. O problema do campus de Picos, no entanto, aparece como o mais gritante erro da gestão da UESPI nos últimos 20 anos. É inaceitável que uma cidade do porte da nossa, com a segunda maior arrecadação de impostos do estado, com o maior entroncamento rodoviário do Nordeste, polo de uma microrregião com uma população de 500 mil habitantes, não tenha um prédio digno onde possa funcionar a Universidade Estadual. Tal fato revela a inércia de nossos representantes políticos e a pouca atenção dada por sucessivos governos à nossa querida cidade modelo.

É preciso mobilização da sociedade picoense, encabeçada, sobretudo, pelos servidores e alunos da UESPI, principais prejudicados com essa situação. Se o povo egípcio conseguiu derrubar uma ditadura sanguinária enraizada há 30 anos, certamente haveremos de derrubar a insensatez de um governo que fecha os olhos para a educação de nosso povo.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

What A Wonderful World

Louis Armstrong

I see trees of green, red roses too
I see them bloom for me and you
And I say to myself
What a wonderful world
I see skies of blue and clouds of white
Bright sunny days, dark sacred nights
And I think to myself
What a wonderful world
The colors of the rainbow are so pretty in the skies
Are also on the faces of people walking by
I see friends shaking hands saying
How do you do?
They´re really saying
I love you
I see babies cry, I watch them grow
They´ll learn much more than I´ll ever know
And I think to myself
What a wonderful world
Yes, I think to myself
What a wonderful world
And I say to myself
What a wonderful world

http://www.youtube.com/watch?v=4NPc7Y829dE&feature=related

domingo, 6 de fevereiro de 2011