A arte do encontro

A vida é a arte do encontro, embora existam tantos desencontros pela vida...

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

What A Wonderful World

Louis Armstrong

I see trees of green, red roses too
I see them bloom for me and you
And I say to myself
What a wonderful world
I see skies of blue and clouds of white
Bright sunny days, dark sacred nights
And I think to myself
What a wonderful world
The colors of the rainbow are so pretty in the skies
Are also on the faces of people walking by
I see friends shaking hands saying
How do you do?
They´re really saying
I love you
I see babies cry, I watch them grow
They´ll learn much more than I´ll ever know
And I think to myself
What a wonderful world
Yes, I think to myself
What a wonderful world
And I say to myself
What a wonderful world

http://www.youtube.com/watch?v=4NPc7Y829dE&feature=related

domingo, 6 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Quem elegeu Dilma?

Será que foi o Nordeste que deu a vitória de Dilma?

Antes de responder à pergunta, tome seu tempo e leia estes comentários pós-eleição:





A essa altura você já deve ter entendido o motivo desses ataques de xenofobia. Mas como começou? O que foi o catalizador de tudo isso?

Tudo aconteceu por causa de figuras como esta, amplamente divulgadas pela imprensa:



Sim, se dependesse da Região Nordeste, Serra não teria a mínima chance. Mas acontece que, nestas eleições, se você analisar os resultados por região, vai ver que:

No Sul:
Serra ganhou por 7,78% dos votos.

No "Sudeste Maravilha":
Dilma ganhou por 3,76%; graças ao Rio de Janeiro e a Minas Gerais, estados em que Dilma teve uma vantagem na casa dos 20%!
No Espírito Santo, porém, deu empate!
E em São Paulo, o centro do universo, casa de tantos mandatos de direita, Serra não conseguiu nem mesmo 10% de vantagem!

No Centro-Oeste:
Empate!
Rigorosamente, Serra ganhou por 1,84%.

No Norte:
Dilma ganhou por 14,86%.

E no nosso Nordeste amado e odiado por tantos:
Dilma ganhou por avassaladores 41,16%.

Tudo isso está resumido neste quadro:



Números à parte, vamos fazer a vontade dos sudestinos e remover o Nordeste do Brasil. O que aconteceria?



Seriam 26 milhões de votos válidos a menos. E o resultado das eleições:



Oxente, deu Dilma de novo! Como pode? Deve ser por causa do pessoal lá do Norte, né? Então vamos tirar o Norte também:



Eis o sonho de grande parte dos sudestinos. Um Brasil sem Norte/Nordeste!

Agora sim, vamos ao resultado das eleições. Está tudo nas mãos deles:



Mas deu Dilma de novo! E agora, quem explica?

Pergunte aos moleques do Tuíter (sic). O que será que eles diriam?

Provavelmente seria algo nas linhas de: "É por causa dos imigrantes do Norte/Nordeste que votam aqui no Sul/Sudeste".

Raciocínio incorreto. Pois mesmo que todos os migrantes nordestinos tenham votado em Dilma (100% em Dilma, o que é uma hipótese extremamente fantasiosa), o número de sudestinos nativos morando na região é muito maior. Prevaleceu portanto a vontade deles, os nativos, e foi por pequeníssima diferença que Dilma venceu.

Posto isso, ao invés de propor a independência do Sul/Sudeste, os referidos xenófobos deveriam primeiro checar os números e decidir o que fazer com metade de seus conterrâneos. Afinal, há mais eleitores de Dilma nativos de lá (S/SE) do que nativos daqui (N/NE).


Um abraço,
Onildo Ferraz
Pernambucano

Fontes:
http://kioshi.blogspot.com/2010/11/xenofobia-no-twitter-contra-nordestinos.html
http://placar.eleicoes.uol.com.br/2010/2turno/
http://www.clicrbs.com.br/eleicoes/2010/apuracao/2turno/apuracao.html
http://oglobo.globo.com/pais/eleicoes2010/apuracao/
http://politica.estadao.com.br/eleicoes-2010/apuracao-segundo-turno/?estadual=br&federal=br

O monstro ecológico



Era uma tarde de domingo no centro de Picos. Os restos da feira livre do dia anterior alastravam as ruas principais da cidade. Cascas de banana, caixas de ovo, chifres de boi, pedaços de jornal... Parecia que um furacão havia destroçado tudo. Nas imediações do mercado público, um cachorro esguio arrastava uma tripa pela Avenida Getúlio Vargas, disputando o troféu com oito urubus famintos. As ruas desertas mais pareciam uma velha cidade de faroeste abandonada.

A faxineira da Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios varria alegremente o pátio que, dentro em breve, receberia os fiéis para a missa das sete quando uma imensa luz prateada cruzou os céus da cidade, circulou a torre da igreja e, em movimentos estranhos, tipo solavancos de carro velho que não quer pegar, aterrissou no meio do calçamento da Praça Justino Luz.

Enquanto a luz se apagava, um ser esquisito apareceu no topo da parafernália. Tinha a cabeça achatada e duas enormes orelhas. A pele recoberta por uma escama espessa e brilhante parecia assumir as cores do ambiente por onde passava. Os olhos grandes e salientes se movimentavam no rosto ao ponto de, por vezes, um ficar sobre o outro. Começou a girar a cabeça vendo o que havia em volta. Emitia sons estranhos, fazia movimentos constantes, parecia indignado com a sujeira que rodeava seu moderníssimo tamborzinho voador.

De repente, começou a girar o corpo a uma grande velocidade. Uma massa de ar rodopiou por entre os detritos e, em pouco tempo, tudo estava limpinho. O lixo fora agrupado em diversos blocos, de acordo com a sua natureza, formando esculturas lindíssimas.

Uma grande multidão já se aglomerava ao redor da cena. O medo inicial dava lugar à cordialidade, dada a boa ação praticada pelo monstrengo. Seu Adelson, pipoqueiro, aproximou-se da figura estranha com certa cautela e perguntou: “Quem é você”? De imediato a criatura retribuiu a indagação com outra semelhante e tom cavernoso: “Quem é você”? Parecia que havia ressoado uma enorme panela acústica.

O monstro estendeu a mão cumprimentando seu Adelson, aproximou-se do moço segurando-o pela cintura. Num impulso, os dois subiram pelos ares. A criatura vislumbrava espantada a sujeira do Rio Guaribas, o lixo hospitalar, os esgotos a céu aberto, o bando de urubus circulando. Enquanto isso conversava com Adelson demonstrando grande habilidade no aprendizado de nossa língua.

Aos poucos a criatura foi explicando a seu Adelson sua eterna jornada de andarilho do espaço. Incontáveis milhas percorridas preocupando-se exclusivamente com a ecologia do planeta. Lá de cima, sentiu o mau cheiro que a cidade exalava e não se conteve.

Perguntou a criatura a seu Adelson se a cidade não tinha prefeito. “Ter, tem... mas não liga!”, respondeu o pipoqueiro. O alienígena dirigiu-se então à Avenida Nossa Senhora de Fátima onde residia o prefeito romeiro. Lá chegando, adentrou o apartamento do dito cujo e, puxando-o pelo fundo das calças, atirou-o ao espaço junto com todo o lixo da cidade. Em seguida levantou voo em sua nave sob os aplausos de toda a cidade agradecida.


* Texto publicado originalmente no Jornal de Picos, versão impressa, em 16 de abril de 1999.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Preconceito contra o nordestino



A estudante de Direito Mayara Petruso atendendo ao chamado dos tucanos, que transformaram a campanha eleitoral numa guerra entre gente limpinha e a massa fedida, principalmente a que reside no Nordeste e vive do Bolsa Família, escreveu as mensagens reproduzidas acima na noite do último dia 31 de outubro, logo após o anúncio da vitória de Dilma Roussef.

A estudante é uma típica paulistana de classe média alta. Um tipo que não gosta de estudar, adora consumir e que considera nordestino um ser inferior. Nada mais comum em almoços de domingo nos ambientes dessa elite branca paulistana do que ouvir gente falando coisas semelhantes ao que escreveu Mayara Petruso na sua conta no tuiter. Na cabeça da menina, ela não deve ter falado nada demais. Afinal, é isso que deve ouvir desde criança entre familiares e amigos.